Incremento do Pronaf poderia criar 400 mil empregos no campo
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaSolução lógicaO ministro Arlindo Porto quer mais famílias no campo: agricultura é o maior empregador no PaísO ministro da Agricultura, Arlindo Porto, vai propor na reunião ministerial de hoje, convocada pelo presidente Fernando Henrique para tratar de medidas para combater o desemprego, a incrementação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para a criação de mais 400 mil novos empregos e, principalmente, para a manutenção de milhares de famílias no campo. Um levantamento feito pelos técnicos do ministério revela que o Pronaf, um dos 42 projetos do Brasil em Ação, é o programa de maior impacto para resolver o problema social do País no setor agrícola.
Se o governo ampliar este ano os recursos do Pronaf, de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,3 bilhões, além de 400 mil novos empregos poderão ser mantidos no campo 494 mil trabalhadores, de acordo com as projeções dos técnicos. Em 1997, o dinheiro investido no Pronaf resultou em 978 mil empregos mantidos no campo.
O assessor especial do ministério, Célio Floriani, lembrou que a agricultura é o maior empregador do País, com 18 milhões de trabalhadores segundo dados do IBGE de 1995. Em média, o custo de geração de um emprego no campo oscila entre US$ 2.000 e US$ 2.500, enquanto que, na área urbana, ele é de US$ 10.000 em média. Um estudo do BNDES mostra que, com o custo de geração de um emprego urbano é possível criar quatro novos empregos rurais.
O levantamento dos técnicos mostra ainda que deverá haver criação de empregos no campo em razão do aumento da produção agrícola nesta safra, principalmente nas culturas de café, onde são previstos 220 mil novos postos temporários para a colheita, durante cinco meses, e de algodão, onde o aumento da área plantada poderá resultar em 87 mil novos empregos.
Teatro eleitoreiro A CUT (Central Única dos Trabalhadores) teme que a reunião ministerial de hoje seja mais um teatro eleitoreiro. Palavras do presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que esteve reunido com dirigentes da central nos últimos três dias para discutir estratégias de combate ao desemprego. A CUT vai anunciar na segunda-feira um cronograma de atividades e manifestações sobre o desemprego.


