O caos que vem ocorrendo nos aeroportos de todo o Brasil fechou com ''chave de ouro'', mas em todos os setores da economia brasileira. Há quem diga que quando o governo não atrapalha ajuda muito. O problema é que os governos, sejam eles federal, estaduais ou municipais, não pensam assim e sempre agem quando já é tarde demais e os prejuízos são gigantescos.
''Nesta semana o Brasil teve uma amostra do que a incompetência administrativa pode fazer com o país'', disse o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. Segundo ele parece que no Brasil, além da incompetência rotineira na administração da coisa pública, ninguém assume os erros. ''O ministro da Defesa, Waldir Pires, agora vem à imprensa e diz que os vôos charter (vôos fretados por companhias de turismo) estão proibidos. Ora, se ele fizer isso estará prejudicando as pessoas que compraram pacotes turísticos nestes vôos. Ou seja, para cobrir um santo eles descobrem outro'', comenta.
Ribeiro também critica outra medida anunciada, a auditoria da Agência Nacional da Aviação (Anac) na empresa aérea TAM, para saber se a companhia estava mesmo praticando o overbooking (venda de passagens acima da capacidade da aeronave). ''De que adianta a auditoria depois do problema instalado? Por que não fizeram esse acompanhamento antes? Será que só agora descobriram o overbooking no Brasil'', questiona o sindicalista.
Segundo ele o caos nos aeroportos é apenas o princípio do problema que se ramifica para vários setores. O turismo é um dos primeiros a ser afetado. Além dos prejuízos das operadoras, as cidades turísticas registram uma das menores taxas de ocupação dos últimos anos. ''Perdem desde as artesãs que vendem lembrancinhas aos hotéis. Mas não é só isso. As empresas aéreas não transportam apenas pessoas, mas uma infinidade de produtos'', diz. Ribeiro lembra que os atrasos constantes também afetam a produção e a exportação de produtos de milhares de empresas que dependem da rede de transportes aéreos.
''Quem é que vai pagar esse prejuízo? Nem é preciso dizer quem vai colocar a mão no bolso não é? O governo não produz riquezas, ou seja, o dinheiro do governo é aquele que ele arrecada através de impostos. Traduzindo isso significa que cada um de nós vai ter que desembolsar um pouco para compensar a incompetência administrativa.''
Ribeiro aponta outros problemas que ocorreram e que vão se repetir se não forem tomadas decisões rapidamente. Ele lembra que o governo gastou milhões de dólares para tapar buracos das principais rodovias brasileiras e de nada adiantou. O serviço, em boa parte dos casos, não foi bem feito e o problema continua. ''Em breve começa novamente o escoamento da safra e como é que vai ser? Mais prejuízos aí pela frente'', prevê Ribeiro.
No Paraná ele lembra dos problemas causados pelo anúncio de focos de aftosa em rebanhos bovinos no Estado. Esta semana, a Folha mostrou, com exclusividade, que os exames feitos nos animais abatidos mostram que não havia a doença no Paraná. Mais uma vez fica o questionamento: quem é que vai pagar o prejuízo? Além da questão financeira, a imagem do Paraná foi muito afetada e demorará anos para que a credibilidade na produção de carne se recupere.
''Isso sem contar no âmbito municipal. Quantas obras estão paradas trazendo prejuízos para a Londrina? A obra na Avenida Ayrton Senna está parada há mais de dois anos, atrasando o desenvolvimento daquela região. A obra do memorial do Pioneiro, na Concha Acústica, está parada há meses infernizando a vida dos moradores do Centro. Isso sem falar das obras nos lagos da região norte; da ala de queimados do Hospital Universitário que já foi inaugurada 4 vezes e ainda não está funcionando; da greve que durou mais de 100 dias. São tantos os problemas que não permitem que tenhamos uma boa perspectiva para o novo ano que está batendo na nossa porta. O que vemos é que sobra discurso e falta competência administrativa em todos os setores. É uma pena'', esclarece Ribeiro.

Fonte: Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria, Perícia, Assessoramento e Informações de Londrina - Sescap-Ldr

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