Arquivo FolhaPausa na reaçãoSaída de recursos elevaria as cotações do dólar, interrompendo a retomada da estabilidade internaIncógnita do mercado
são os juros dos EUA
Alta da taxa pode provocar a debandada de capital do Brasil
Agência Estado
O mercado segue em clima de cautela, por conta do temor de que o Fed, o banco central norte-americano, eleve os juros, para conter pressões inflacionárias nos Estados Unidos. Uma alta das taxas pode provocar uma corrida dos capitais para a segurança dos T-Bonds, os títulos de 30 anos do Tesouro norte-americano, fazendo com que aqui o Banco Central (BC) tenha de ser mais conservador na redução dos juros domésticos.
As Bolsas poderão sofrer, especialmente se o mercado acionário nova-iorquino cair de forma brusca. E as cotações do dólar poderão subir, se houver uma saída de recursos do País. Nesse cenário de indefinição, o investidor que não quer correr riscos encontra boa opção nos fundos DI, que acompanham a oscilação das taxas. A aplicação nas Bolsas é recomendada por prazos longos.
Depois da quase euforia que tomou conta do mercado de abril à metade de maio, a preocupação com os juros norte-americanos e com a situação da Argentina levou a uma correção desse otimismo exagerado. O operador-chefe de Renda Variável do Lloyds Bank, Pedro Thomazoni, diz que a grande incógnita do mercado é o rumo dos juros norte-americanos. Na sexta-feira, será divulgado o índice de inflação de maio. Se o número for elevado, vai aumentar o temor de alta dos juros norte-americanos e, por tabela, o nervosismo em todos os mercados internacionais.
Thomazoni diz que, se a eventual alta for entendida como uma ação preventiva do Fed para evitar mudanças mais bruscas de rumo, o mercado poderá considerar a medida positiva. Mas, se ficar a impressão de que a inflação saiu do controle e a medida do Fed foi tardia, a Bolsa de Nova York poderá passar por uma forte queda e os investidores, correr para os T-Bonds. Com isso, sobraria menos dinheiro para os países emergentes, e o BC poderia ser obrigado a diminuir o ritmo de queda dos juros aqui ou, eventualmente, estancá-la.
Thomazoni diz, porém, que, se esse quadro mais pessimista não se concretizar, os juros deverão seguir em queda aqui, pois o cenário interno favorece a estratégia de redução das taxas. A inflação está controlada e o quadro fiscal não é preocupante no curto prazo, mas ele reconhece que faltam medidas que garantam o equilíbrio estrutural das contas públicas. Embora acredite na tendência de queda das taxas, ele recomenda os fundos DI. As aplicações prefixadas seriam indicadas para quem admite algum risco na renda fixa.
Ele vê boas perspectivas para as Bolsas no médio prazo. A tendência de queda dos juros favorece esse investimento e a realização de lucros ocorrida recentemente trouxe o preço de muitas ações para níveis atraentes. Mas, no curto prazo, esses mercados podem passar por períodos de fortes oscilações.

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