Inclusão financeira chega ao trabalhador rural
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
Maria Madalena Ferreira Silva, cortadora de cana na região de Paraíso do Norte (Noroeste), nunca teve uma conta bancária em seu nome. A trabalhadora, de origem simples, até pouco tempo nem conhecia um caixa eletrônico, muito menos um cartão de débito ou crédito. Madalena sempre recebeu seu ordenado em cheque. Todo início de mês, o que parecia ser motivo de alegria, era na verdade uma tortura. Isso porque descontar esse pagamento sempre foi uma dificuldade enfrentada não só pela trabalhadora, mas por todos os cortadores de cana da região.
Para reverter esse quadro, a unidade da Cooperativa Sicredi de Paraíso do Norte instaurou há quase dois anos um sistema de inclusão financeira para os trabalhadores. Criado em parceria com a Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana (Coopcana), o projeto abriu uma conta bancária para cada um dos 2,3 mil cortadores de cana que atuam na região. Com essa iniciativa, além de facilitar o pagamento salarial, os trabalhadores tiveram a oportunidade de aprender a lidar com outros sistemas de pagamento, como a realização de compras com cartão de débito, sem que seja necessário ir todo mês ao banco para sacar dinheiro.
Alexandre Mendes da Silva, gerente do Sicredi de Paraíso do Norte, conta que durante muito tempo observou que havia dificuldade por parte dos trabalhadores em receber o pagamento em cheque. ''A recusa pela troca desses cheques pelo comércio era um dos principais problemas. Muitos comerciantes cobravam para descontar os cheques'', conta. Silva explica que implantar o programa de inclusão financeira no município não foi uma tarefa fácil, isso porque muitas pessoas desconheciam o funcionamento de um sistema bancário.
Ele relembra que foi necessário realizar, inicialmente, treinamentos dentro das lavouras para orientar, por exemplo, sobre o funcionamento de um caixa eletrônico ou o que é uma conta corrente. Com persistência, o gerente relata que o programa deu certo, realizando até empréstimos. Madalena, por exemplo, já está quase terminando de quitar um empréstimo. ''Foi a primeira vez que pedi dinheiro emprestado, foi uma ótima ajuda'', revela. Mesmo com o acesso facilitado ao crédito, o gerente do Sicredi completa que também há um trabalho por parte do banco de educação financeira com os trabalhadores, para que eles não comprometam o orçamento com dívidas. Com essa ajuda, Silva afirma que até agora, o índice de inadimplência dos trabalhadores é muito baixo.
Agilidade
O cortador Sérgio Ferreira da Silva se diz satisfeito com a iniciativa. Ele conta que o banco agilizou bastante o recebimento do salário. Todo mês, Silva pega o seu cartão e vai até a agência do Sicredi sacar o dinheiro do pagamento. Para não lotar os caixas eletrônicos na época de pagamento, uma das ações realizadas pelo Sicredi foi incentivar o uso do cartão de débito para compras no comércio.
''Boa parte dos estabelecimentos da região já aceitam o cartão do Sicredi. Trouxemos dignidade para os trabalhadores'', completa o gerente Alexandre da Silva. Por causa desse trabalho social, recentemente o banco ganhou um prêmio internacional na Polônia. ''Não estamos buscando lucro, mas sim proporcionar oportunidades'', observa.
Evolução
De acordo com o chefe dos recursos humanos da Coopcana, Jurandir Aparecido Ticianeli, a iniciativa do banco socorreu todas as necessidades no sistema de pagamento da cooperativa. ''Dia de pagamento era sempre uma data complicada. Era um dia inteiro perdido, conta Ticianeli. Além disso, ele recorda que sempre havia problemas com perda de cheque, dando muito trabalho para a cooperativa. ''Quando se perde um cheque é necessário fazer um boletim de ocorrência. Hoje não temos esse problema, é só depositar na conta'', completa.


