Arquivo FolhaCutolo, da CEF, aceitou incluir devedor na lista após 90 dias de atrasoA inclusão no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) do nome de mutuários que atrasarem o pagamento de prestações da Caixa Econômica Federal só deverá ser permitida para novos contratos que já incluírem essa cláusula. Os atuais 400 mil inadimplentes da CEF não deverão constar da lista de caloteiros, segundo afirmou ontem o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Carlos José Stupp. A entidade representa cerca de 30 mil lojistas de todo o País.
Em encontro realizado em São Paulo na segunda-feira e ontem, reunindo mais de 400 dirigentes de SPC, foi aprovada a retirada do item que impedia a inclusão de devedores do sistema financeiro no Serviço de Proteção do Crédito. A partir de maio, as associações comerciais de todo o País poderão colocar os mutuários em suas listas de inadimplentes, desde que assinem acordo com a CEF. ‘‘Mas a inclusão somente deverá atingir os novos contratos’’, disse Stupp.
A CNDL também defende que o mutuário só passe a ter o nome na lista do SPC após 90 dias de atraso na prestação e não 30 dias, conforme chegou a defender o presidente da CEF, Sérgio Cutolo. Na próxima semana, representantes da entidade e da CEF vão se reunir para discutir o assunto, mas Stupp informou que Cutolo já teria aceitado as condições em carta enviada na segunda-feira aos participantes do encontro em São Paulo, denominado Seminário Nacional de SPC.
Segundo Stupp, as associações terão que assinar convênios com a CEF para receber a listagem de quem está com pagamentos atrasados e isso deverá ocorrer até início de maio. A Associação Comercial de São Paulo já tem o convênio, mas ainda não recebeu qualquer relação da CEF. Com o nome incluído no SPC, a pessoa terá dificuldades em comprar a crédito ou conseguir empréstimos bancários.
Para o presidente da CNDL, no entanto, essa medida servirá mais para dificultar a liberação de crédito para a habitação por parte da Caixa do que inibir o consumo no comércio. ‘‘A inadimplência média no comércio hoje está em 11% a 12% das vendas no crediário e esse índice deve ser mantido’’, avaliou.

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