Incidência de greening dobra nos pomares de SP
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segunda-feira, 06 de setembro de 2010
Gustavo Porto<BR> Agência Estado 
Ribeirão Preto - Levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta que o greening (huanglongbing), considerada a pior doença da citricultura, afeta 36 mil talhões de pomares do Estado de São Paulo em 2010, aumento de 56,52% sobre os 23 mil talhões contaminados no ano passado. Em relação ao levantamento de 2008, quando 17,8 mil talhões estavam contaminados, a alta é de 102,24%, ou seja, a incidência mais que dobrou nos últimos dois anos. O Estado abriga a maior região produtora de laranja e é o maior exportador de suco de laranja do mundo.
Cada talhão tem cerca de 2 mil plantas cítricas. Em levantamento por amostragem realizado entre maio e julho por 170 inspetores, foram percorridos 7 mil talhões. Em cada um deles, 10% das árvores foram inspecionadas. No total, 38,8% dos talhões apresentavam ao menos uma planta com greening.
A região paulista mais afetada pelo greening é a Central, com 61,7% dos talhões com ao menos uma planta contaminada em 2010, ante 33,1% de talhões com a doença no levantamento anterior. Os dados mostram o descontrole no avanço da doença na região, a primeira a registrar o greening no País. A região Central é ainda a que concentra o maior índice de árvores com sintomas: 3,5%.
A disparada do greening em São Paulo ratifica a decisão do Fundecitrus de deixar as ações de vigilância fitossanitária no Estado este ano, sob o argumento de que a doença estava fora de controle. Desde o início de 2010, o Fundecitrus faz apenas a orientação ao produtor para o controle do greening.
Manejo da doença
Para o gerente do Departamento Técnico do Fundecitrus, Cícero Augusto Massari, é fundamental que os citricultores adotem o manejo do greening, especialmente em conjunto com as propriedades vizinhas. ''O problema cresce porque alguns produtores ainda não fazem o manejo, outros começam tardiamente e alguns que adotam as medidas sofrem com vizinhos que não realizam o processo'', disse. Como o greening não tem cura, o manejo envolve basicamente três ações: erradicação de plantas doentes, controle do inseto vetor, a Diaphorina citri, e constantes inspeções no campo, além do uso de mudas sadias e certificadas.
A legislação exige que o produtor faça no mínimo quatro inspeções anuais e entregue dois relatórios durante o ano. O produtor que não erradicar as plantas antes da fiscalização da CDA será penalizado pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo com uma multa que varia de 501 a 3,5 mil Unidade Fiscal do Estado de São Paulo (UFESPs).


