São Paulo - A China mantém seu crescimento fenomenal e os Estados Unidos voltam aos trilhos. Enquanto isso, os conflitos se estendem no Iraque e há ameaças de sabotagem na Arábia Saudita. É essa combinação de aumento na demanda e incertezas sobre a oferta que está levando o petróleo a atingir cotações recordes.
Do lado do consumo, a Agência Internacional de Energia projeta que a demanda mundial por petróleo vai crescer 2,5% em 2004, a maior taxa desde 1996. Só no primeiro semestre deste ano, a demanda da China por petróleo deve aumentar 20%.
E a recuperação dos Estados Unidos, que consome 25% do petróleo mundial, aumenta a competição por combustível. Os EUA consomem 45% da gasolina do mundo e sua demanda continua crescendo. Ao mesmo tempo, o país tem sérias restrições de capacidade de refino.
Já a oferta de petróleo não está crescendo como era esperado, por causa de tensões políticas (na Nigéria, Venezuela e Colômbia) e atividade militar (no Iraque). Em outras regiões, há um declínio da produção em muitos campos ''maduros'' (Estados Unidos, Mar do Norte e Indonésia), enquanto outras áreas ainda não estão produzindo os volumes projetados (África).
Interrupções no fornecimento no ano passado - a guerra do Iraque, greve geral na Venezuela e revoltas na Nigéria - reduziram os estoques mundiais. A escalada das tensões no Oriente Médio e os conflitos no Iraque, o 10º maior produtor mundial, geram insegurança. Na semana passada, o ministro da Energia da Arábia Saudita, Ali Naimi, conclamou os 11 países da Opep, que respondem por 40% da oferta mundial, a aumentarem sua produção em 1,5 milhões de barris por dia.
Mas o fato é que os países da Opep já estão produzindo 2 milhões de barris por dia acima de sua cota. E alguns economistas duvidam que tenham capacidade para produzir muito mais do que isso. (P.C.M/com Reuters)

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