Incertezas sobre juro nos EUA podem afetar mercado de ações
INVESTIMENTOS Incertezas sobre juro nos EUA podem afetar mercado de ações Mais uma vez, o cenário externo vai ditar o comportamento das bolsas brasileiras esta semana Arquivo FolhaINSTABILIDADEIndicações de que o BC americano deve continuar a subir juros derrubou a Bolsa de NY na semana passada Agência Estado De São Paulo As perspectivas para o mercado esta semana vão depender mais uma vez do cenário externo. Se a Bolsa de Nova York registrar um comportamento menos instável nos próximos dias, o Ibovespa pode continuar sua trajetória de alta, estimulado pelas boas notícias no front interno: a inflação está sob controle, a economia deve registrar crescimento razoável este ano, o ajuste fiscal parece consistente e a balança comercial começa a reagir. Além disso, o País segue recebendo volumes expressivos de investimentos estrangeiros diretos. Esse fluxo positivo de recursos para o País, que deve ser engordado por captações de empresas brasileiras no exterior, pode continuar derrubando o dólar, que fechou cotado por R$ 1,746 na sexta-feira. Mas esse cenário róseo pode não se concretizar se a instabilidade voltar a dar o tom dos negócios no mercado acionário norte-americano. Na segunda e na terça-feira da semana passada, o Dow Jones caiu 5,51%, depois de mais um discurso em que o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Alan Greenspan, reiterou que os juros deverão continuar a subir para esfriar a economia. Depois desse susto, o Dow Jones acabou recuperando-se a partir da quarta-feira. Além disso, o Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, seguiu em sua escalada de alta, superando pela primeira vez a marca histórica dos 5 mil pontos. O diretor de Administração de Recursos de Terceiros do Banco AGF Braseg, Kazuhiro Miyamoto, diz que é justamente a volatilidade da Bolsa de Nova York que pode atrapalhar o Ibovespa. Se o Nasdaq, índice com o qual a Bolsa paulista registra maior correlação nos últimos meses, sofrer uma correção mais forte para baixo, o Ibovespa poderá ser arrastado, diz Miyamoto. É por isso que ele recomenda o investimento em ações apenas para quem pode aplicar por prazos longos. No curto prazo, as oscilações na Bolsa paulista podem ser muito fortes, ainda que haja boas perspectivas para o mercado acionário. O Comitê de Política Monetária (Copom) vai reunir-se nos dias 21 e 22 para deliberar sobre o nível dos juros. Miyamoto entende que a instituição deverá manter as taxas em 19% ao ano, por conta das incertezas em relação ao mercado norte-americano e ao comportamento dos preços do petróleo. Com isso, Miyamoto entende que os fundos DI são a melhor opção da renda fixa. Segundo ele, o ganho que se pode ter em fundos prefixados é muito pequeno hoje, não compensando o risco que se corre. Aplicações prefixadas costumam ser mais interessantes quando a tendência de queda dos juros é mais clara. Ainda que as taxas devam cair ao longo do ano, é difícil afirmar quando o Copom vai voltar a derrubá-las. O dólar deve continuar nos atuais níveis nos próximos dias, ou até recuar. Por isso, investir em fundos cambiais é mau negócio. Sergio Lamucci





