Incertezas na Argentina faz dólar subir
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quarta-feira, 02 de maio de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O dólar comercial disparou ontem, após três dias úteis em queda. A moeda norte-americana fechou em alta de 1,68%, vendido a R$ 2,2380. Tesourarias de bancos e alguns importadores voltaram a comprar moeda por causa das persistentes incertezas com a Argentina e da pressão política interna. Investidores argentinos e brasileiros temem principalmente que o governo do país vizinho não consiga negociar com os credores o swap de títulos curtos da dívida por papéis longos, o que poderia levar a Argentina ao default.
Essa desconfiança aumentou ontem, provocando nova queda de 0,80% do FRB (principal título da dívida externa argentina) e de 1% do C-Bond brasileiro e a elevação do risco país da Argentina até 1.092 pontos-base. A piora desses indicadores também refletiu a reação negativa do mercado ao impostaço determinado pelo ministro de Economia, Domingo Cavallo, e à aparente dificuldade de aprovação na Câmara do projeto de inclusão do euro no regime de conversibilidade argentino.
Operadores de mesas de câmbio consideraram positiva a renegociação de metas pelo governo argentino com o FMI e a liberação pelo fundo de uma parcela de US$ 3,9 bilhões. Mas eles também chamam atenção para a fragilidade financeira do país, agravada pela queda de 6% da arrecadação em abril, ante abril do ano passado, e para o baixo volume de reservas internacionais da Argentina, que somava US$ 22,49 bilhões no dia 27 de abril.
Internamente, a crise política também incomoda e promete parar o País hoje, após às 14h30, durante a acareação entre os senadores José Roberto Arruda e Antonio Carlos Magalhães e a ex-diretora do Prodasen Regina Célia Borges, sobre a violação do painel de votação do Senado. O mercado está ansioso para saber se haverá espaço para eventual renúncia ou cassação dos senadores.
Outra dúvida no front político doméstico recai sobre a instalação da CPI Mista da Corrupção. Ontem, a oposição decidiu que só protocolará o requerimento de instalação da CPI na próxima quarta-feira, dia 9.
O resultado positivo da balança comercial em abril, de US$ 120 milhões, não chegou a ser comemorado pelo mercado, porque apenas reduziu o saldo negativo no ano, para US$ 558 milhões. De todo modo, o volume de exportações em abril foi recorde para esse mês e parte desse saldo positivo deveu-se à alta do dólar, que tornou o produto nacional mais competitivo no mercado externo.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,36%, entre a mínima de R$ 2,21 (+0,41%) e a máxima de R$ 2,24 (+1,77%). Mas o giro financeiro foi fraco, segundo operadores.
Pioraram as expectativas dos mercados em relação à Argentina e com isso os juros voltaram a subir expressivamente na BM&F. Ao final do pregão da BM&F, o juro projetado pelo DI outubro subiu para 21,33% ao ano, ante 20,76% de segunda-feira. O DI junho projetou juros de 17,87%, ante 17,81% do fechamento anterior.
E o juro do DI a termo de um ano subiu para 22,28%, ante 21,40% do fechamento anterior. (Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)


