Após um período de euforia, com a queda da inflação e melhoria do poder aquisitivo dos assalariados de baixa renda, o plano Real comemora hoje o seu quarto aniversário atravessando uma etapa delicada, onde as fragilidades da economia estão mais evidentes. Essa é a opinião do Conselho Regional de Economia do Paraná, que reuniu ontem os membros de sua diretoria para um debate sobre os quatro anos de vigência do plano econômico. Os economistas defendem a desvalorização cambial e o ajuste fiscal como medidas fundamentais para a sustentação do plano Real.
Para o economista Gilmar Lourenço, membro da diretoria do Corecon, os ganhos promovidos pelo plano Real como a estabilidade da economia, neutralização da corrida de preços e salários são inquestionáveis. Segundo Lourenço, o Real derrubou uma hiperinflação de 5.000% ao ano para 3% ao ano, acabou com o imposto inflacionário dos baixos salários, que resultou no aumento significativo do consumo de alimentos. Entre 1994 e 1997, o consumo de frango cresceu 40%; de carne bovina, 27%; de carne suína, 26%; de iogurte, 86%; de queijos, 52%; de cerveja, 57%; de refrigerantes, 71%; e de biscoitos aumentou 43%.
Segundo Lourenço, as estatísticas revelam ainda um salto no acesso da população aos bens de consumo duráveis como geladeira, fogão, freezer, aparelhos de rádio e televisão. ‘‘ Atualmente cerca de 83,1% das residências brasileiras possuem geladeira, contra 71,7% antes do real’’, destacou. O economista referiu-se também à possibilidade de planejar o orçamento, que ficou mais fácil para empresas e para as famílias, emendou.
Por outro lado, os principais indicadores econômicos sobre desemprego, déficit público, elevação das dívidas pública interna e externa, dos estados e municípios, prenunciam para 1999 uma crise sem precedentes na história brasileira, afirmou o economista Luiz Antonio Fayet. Ele teme que previsões assustadoras como o agravamento da crise de desemprego e quebradeira de empresas possam se concretizar, caso o governo não promova um ajuste do plano Real até o final do ano.
Para Fayet, o festejado crescimento das reservas internacionais que hoje estão em torno de US$ 70 bilhões é um engodo porque mais de 50% desse total é representado por capital emprestado, que pode sair do país a qualquer momento, agravando o balanço de pagamentos.‘‘Mesmo o fluxo de entrada de divisas de grupos multinacionais que estão investindo no país também precisa ser visto com cautela’’, frisou. O economista explicou que esses grupos estão comprando empresas já existentes como supermercados, bancos, seguradoras, indústrias, cujo investimento não vai gerar aumento da economia, e sim a desnacionalização, afirmou.
O economista se referiu ao crescimento da dívida interna, que passou de R$ 90,4 bilhões em 1995 para R$ 250 bilhões em 1998, como um barril de pólvora. com o crescimento da dívida pública de estados e municípios, que passou de R$ 72,4 bilhões para R$ 200 bilhões, o déficit fiscal do governo atinge R$ 450 bilhões revelando um descontrole dos governos federal e estaduais, avaliou Fayet. Enquanto isso, a deterioração dos indicadores sociais que refletem na vida da população são assustadores, disse. O crescimento dos níveis de desemprego passando de 5% no ano passado para 7,4% esse ano, e a queda no crescimento do PIB, que deverá ser de 1,5% esse ano revelam aumento brutal no custo de vida, concentração de renda e empobrecimento da população’’, concluiu.Arquivo FolhaVedetesEntre 94 e 97, o consumo de frango no País teve aumento de 39,9%. O de carne bovina cresceu 27,1%Vânia Casado

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