Incertezas exigem cautela do investidor
Agência Estado
De São Paulo
O pessimismo que varre o mercado financeiro, pelo agravamento de expectativas em relação ao cenário político-econômico, exige maior cautela do investidor. Uma forma de diluir o risco alimentado pelo quadro de incertezas, no mercado de investimentos, é a opção pelos fundos de renda fixa DI. A sugestão é do economista-chefe do ABN-Amro Bank, Rubens Sardemberg. Os fundos DI são mais seguros, porque o ganho segue o juro corrente no mercado.
Sardemberg identifica fatores de risco que podem continuar alimentando a instabilidade. A percepção de risco em relação ao País aumentou com a piora do cenário externo, por causa da crise argentina, incertezas com a economia norte-americana e perspectiva de elevação dos juros nos EUA.
Esses são fatos que repercutem no mercado doméstico e Sardemberg está entre os analistas que acreditam em alta dos juros na reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), dia 24. Embora a economia norte-americana esteja aquecida sem indicar sinais mais fortes de pressão inflacionária, o Fed deve elevar os juros. A discussão, para ele, é saber quanto sobe o juro e até onde pode ir a possível nova rodada de ajustes.
Além de perturbações provocadas por eventos internacionais, o economista aponta fatores de turbulência internos. O mercado tem reagido ao noticiário político-econômico com preocupação, comenta, referindo-se à questão fiscal ligada à disputa política. O temor, no caso, é que a crise na base de apoio ao governo ponha em risco a votação das propostas de equilíbrio das contas públicas. A questão fiscal está resolvida no curto prazo, mas permanece incerta no médio prazo, pela falta de um ajuste estrutural, com a aprovação de reformas como a tributária e regulamentação de outras, como a previdenciária e a administrativa.
O que se projeta, portanto, é um cenário de instabilidade que pode continuar mantendo a pressão de alta sobre o dólar e de baixa sobre as ações. Sardemberg explica que a taxa de câmbio se tornou uma variável de ajuste, refletindo qualquer agravamento de clima, seja por conta de expectativas negativas, seja pela deterioração dos fundamentos. Comportamento semelhante tem o mercado de ações. A Bolsa reflete também um agravamento de expectativas.
O economista-chefe do ABN-Amro Bank não vê vantagem, porém, na compra de dólar como investimento. Ele indica um fundo cambial, por exemplo, apenas para quem tem interesse em preservar o valor do patrimônio em dólar . No caso da Bolsa, a queda dos preços das ações, principalmente em dólar, tem um certo apelo à compra, mas o risco do investimento é bastante elevado.
Alguns dos fundos DI tentam tirar proveito dos juros mais altos, por exemplo, nos mercados futuros, até para diversificar. Uma estratégia que pode levar o investidor a ganhar menos que nos fundos DI tradicionais, se o juro à vista avançar além do projetado.





