Agência Estado
De São Paulo
Nos últimos dias, o mau humor voltou ao mercado financeiro, que se reflete na queda da bolsa e na alta do dólar (ontem a cotação chegou a R$ 1,883 e depois recuou para R$ 1,866, com alta de 0,16% em relação ao fechamento de segunda-feira). A principal razão doméstica para a volta das incertezas está associada às manifestações públicas de desarticulação na base política que apóia o presidente da República (o que cria preocupações com as votações das reformas no Congresso, necessárias para o esperado ajuste fiscal), avalia o economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate.
No campo externo, crescem as apostas de uma alta dos juros nos Estados Unidos. Essa expectativa aumenta as preocupações com o financiamento dos países emergentes, incluindo o Brasil. Ontem um elemento novo somou-se às preocupações internas: a inflação. Além dos índices de julho divulgados, o IGPM, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), conhecido no fim da tarde de segunda-feira, apontou alta de 0,9% na primeira prévia de agosto. ‘‘Esperávamos 1,1% para todo o mês, por isso esse resultado indica que o índice final de agosto pode ficar 0,5 ponto acima da expectativa inicial’’, observa Dany Rappaport, economista-chefe do Banco Santander. ‘‘O resultado do IGPM reacende a preocupação com o problema inflação.’’
O economista-chefe do Banco Bilbao Viscaya, Octávio de Barros, avalia que o novo nível do câmbio ‘‘coloca mais lenha na fogueira da inflação’’. Entre o fim de abril e maio, a taxa de câmbio oscilou entre R$ 1,65 a R$ 1,70 por dólar. Em 8 de julho, a taxa de câmbio voltou a cruzar a barreira de R$ 1,80 e em apenas três dias ficou abaixo desse valor. Quanto maior o câmbio, dizem os economistas, maior a parcela da desvalorização que passa para os preços internos.
Abate, do Lloyds, avalia que a grande preocupação é fiscal e por isso, o ‘‘conflito’’ político mais latente nos últimos dias reacendeu a preocupação com a possibilidade de arrastarem-se, no Congresso, as reformas necessárias para o ajuste fiscal.

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