A trajetória das taxas de juros tem sido outro ponto de interesse dos investidores. O aceno oficial que se seguiu à adoção do câmbio livre, de elevação dos juros, foi parcialmente confirmado, com o deslocamento da taxa do overnight, referência de juro da economia, de 36% ao ano para 39%, no momento.
Foi um caminho inverso, porque a expectativa geral era de recuo dos juros após a adoção do regime de câmbio flutuante. A alta dos juros, no caso, seria uma exigência para conter a pressão inflacionária provocada pela desvalorização do real diante do dólar.
Os juros subiram, mas não suficientemente para brecar a inflação e assegurar ganho real positivo para as aplicações neste e, provavelmente, nos próximos meses.
O governo não parece aparentemente preocupado em puxar os juros para adequá-los à inflação. Aposta que a sensação de crise econômica e o temor de desemprego inibam o desejo de consumo com o dinheiro das aplicações.
Se tudo correr bem, a temporada de juro negativo deverá ser curta e, em alguns meses, o rendimento das aplicações poderá ser tingido de azul, com o declínio da inflação. Se for assim, o investidor deverá ficar na dele e não trocar afoitamente de aplicação. Os fundos DI continuam o porto mais seguro.
Uma indicação do rumo dos juros será dada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que se reunirá dia 3 para definir o novo piso e teto dos juros. Ninguém arrisca palpite sobre a possível decisão do Copom, mas, com o avanço do ajuste fiscal e da recessão, com ampliação do desemprego, haveria menos espaço para a alta dos juros.

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