Incerteza sobre recuperação da economia global derruba Bolsas
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segunda-feira, 19 de maio de 2003
Sérgio Ripardo<br> Agência Folha 
São Paulo A Bovespa despencou 3,62%, ontem. Foi a terceira maior queda percentual do ano e a maior desde 10 de março (-3,87%). O mercado seguiu o tombo das Bolsas no exterior, prejudicadas pelo temor de um atraso na retomada do crescimento da economia, após uma nova onda de atentados (Arábia Saudita, Marrocos e Israel), a queda do dólar frente a outras moedas e um alerta do FMI sobre o risco de deflação mundial.
Para o sócio da ARX Capital, Carlos Eduardo Ramos, além de sofrer com a piora do cenário externo, a Bovespa antecipa um cenário de frustração com a reunião do Copom, que anuncia amanhã sua decisão sobre os juros - atualmente em 26,5% ao ano. ''Não há clima para um corte de juros. Isso funciona como uma ducha de água fria no ânimo do mercado acionário'', diz Ramos.
Para o gerente da mesa de operações de renda variável do BES (Banco Espírito Santo), Marco Melo, a expectativa de manutenção dos juros pelo Copom serve para desinflar a bolha do otimismo. Na sua opinião, a volta do fantasma do terrorismo potencializa as incertezas dos investidores sobre a recuperação da economia global.
''Os indicadores vieram péssimos tanto nos EUA como na Europa, sinalizando deflação, o que se traduz por baixa atividade econômica. Os investidores agora revisam suas projeções para as empresas considerando um cenário de menor rentabilidade'', afirma Melo.
Anteontem, o FMI divulgou estudo onde afirma existir o risco de o mundo entrar em um processo de deflação. Para vários países importantes, como a Alemanha e Japão, o risco é ''elevado''. Os negócios na Bolsa ontem movimentaram mais de R$ 1,4 bilhão.


