Incerteza sobre os juros segura ocupação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de agosto de 2005
Luciana Brafman<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - A incerteza - causada pela continuidade da política de juros altos praticada no País - é o principal fator do processo estacionário atribuído pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) à taxa de desemprego de julho. A taxa ficou em 9,4% da população economicamente ativa, a mesma do mês anterior. O percentual equivale a 2 milhões de pessoas sem ocupação.
O IBGE esperava um pequeno recuo. A expectativa do gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Azeredo Pereira, era que a população ocupada apresentasse crescimento, mesmo que pequeno. O número de ocupados ficou em 19,82 milhões, abaixo do de junho, mas praticamente estável.
Apesar de não ter recuado em julho, a taxa de desemprego, calculada nas seis maiores regiões metropolitanas do país, é a menor desde março de 2002, início da série histórica da pesquisa. Em julho do ano passado, o desemprego registrado foi de 11,2%.
''Devido à incerteza na economia, causada pelos juros altos do Banco Central, o empregador fica reticente em investir e abrir novas vagas. A indústria, por exemplo, não abriu vagas. Ao contrário, fechou 40 mil.'' Normalmente, no início do segundo semestre já há aumento de contratações na indústria para suprir as encomendas do varejo para o Natal e o Ano Novo.
Pereira explicou que o processo ainda não é considerado de estagnação. ''Se perdurar, será estagnação, mas por enquanto é um processo estacionário, quando as taxas não crescem nem decrescem.''
O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipoea) Marcelo de Ávila concorda que o mercado de trabalho esteja em compasso de espera, na direção de um arrefecimento. Ele ressalta a diminuição da população ocupada e a continuidade da queda na população economicamente ativa, que inclui também os que buscam trabalho. ''Depois de 181 mil pessoas terem deixado de fazer parte da população economicamente ativa, ela continuou caindo em julho, com a saída de mais 7.358 pessoas.''
Ávila chama a atenção para a ''diferença absurda'' na criação de vagas entre julho deste ano e julho do ano passado. Em relação a junho, no ano passado foram criadas 183,83 mil vagas, ao passo que neste ano 18,19 mil postos de trabalho foram fechados.
Outro ponto destacado é a queda significativa no acumulado dos últimos 12 meses. O número passou de 647 mil em junho para 445 mil em julho - o pior somatório desde março do ano passado. ''O emprego neste semestre não deve crescer na mesma magnitude verificada no segundo semestre do ano passado'', diz Ávila.


