Incerteza externa deverá afetar mercado financeiro
Pressão tende a ser maior no mercado de câmbio
Arquivo FolhaMelhora interna pode tornar Bolsa boa opção no médio prazoOs negócios foram encerrados no mercado na sexta-feira com o sentimento de que os juros podem subir nos Estados Unidos. A expectativa foi reforçada pelas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sobre os riscos de uma correção mais acentuada da Bolsa de Nova York e pelos sinais mais fortes de pressão inflacionária na economia norte-americana que podem levar a uma alta dos juros.
A reação dos mercados a essa perspectiva tende a ser negativa num primeiro momento, como foi na sexta-feira, afirma o economista-chefe do ABN-Amro Bank, Rubens Sardemberg. A prazo médio, no entanto, pode ser positiva se o suposto ajuste da Bolsa e da economia dos EUA for consequência da retomada de crescimento da Europa e da Ásia. Especialmente se estiver correta também a idéia de que as advertências de Greenspan visam a induzir uma correção suave da Bolsa de Nova York, sem forte tranco nas taxas de juros.
Do ponto de vista interno, há indicação de certa recuperação, embora lenta, da economia, comenta Sardemberg. O sentimento de otimismo de curto prazo, no entanto, contrasta com o de incerteza com a questão fiscal de longo prazo. O que se teme no mercado é que, com a decisão do Supremo Tribunal Federal de barrar a cobrança de contribuição previdenciária de servidores inativos, o governo não consiga o equilíbrio das suas contas.
A pressão sobre as cotações do dólar traduz, ainda, a grande concentração de vencimento de compromissos externos nestes últimos meses do ano. Há quem atribua a pressão também à procura antecipada por dólares por quem tradicionalmente faz remessas de divisas ao exterior no fim de ano e estaria antecipando saídas para não correr o risco de mandar dólar ainda mais caro.
O cenário, de forma geral, impõe certa cautela no manejo dos juros pelo Banco Central. Ou o juro não cai ou cai pouco, porque está muito próximo do que seria o piso. Por considerar menos provável ainda uma elevação, Sardemberg sugere aplicações longas com juros prefixados. O risco de uma alta do juro e de o investidor deixar de ganhar com prefixado é pequeno.
A indefinição do cenário de curto prazo nos EUA tem levado o mercado de ações a reagir preponderantemente a fatores imediatistas. Mas, se o quadro doméstico de melhora econômica for confirmado, a Bolsa poderá ser boa opção no médio prazo.





