O mercado financeiro brasileiro viverá momentos difíceis no final do mandato de Fernando Henrique Cardoso e início da gestão do novo presidente. A opinião é do consultor Sylvio Botto de Barros, gestor de fundos da Queluz Brazil Asset Management, empresa que opera no mercado financeiro com patrimônio de US$ 25 milhões. Ele enxerga um cenário de altos e baixos para a economia nacional nesses próximos meses.
A recente crise dos fundos de investimentos marca o início do que classifica como uma ‘‘jornada de sobressaltos’’, com disparada da cotação do dólar, depreciação dos títulos da dívida pública e trocas súbitas de investimentos, diz o consultor. A incerteza vai dar o tom da economia nesta reta final do governo FHC, disse à Folha. ‘‘Independentemente de quem seja eleito para suceder Fernando Henrique, terá um começo de governo pontuado por turbulências, com dólar acima de R$ 2,80. Pelo menos nos primeiros seis meses, o cenário será volátil’’, prevê.
Mas o consultor não endossa prognósticos catastrofistas, o principal deles prevendo a ‘‘argentinização’’ da nossa economia. Passada a fase de sobe-e-desce dos indicadores econômicos, a tendência será de acomodação, diz. ‘‘A balança comercial, que foi prejudicada pela estabilidade do câmbio durante a gestão de Gustavo Franco no Banco Central, levará ainda algum tempo para se recuperar. Mas as empresas brasileiras terão que abrir novos mercados. Este é um processo demorado’’.
Em caso de vitória petista à Presidência, Botto entende que o câmbio vai disparar um pouco além do que aconteceria se José Serra fosse eleito. Mesmo assim, acha que em qualquer caso o dólar subirá por conta da transição política. ‘‘Nada, porém, que não se recupere em seguida’’, avalia. Ajudaria a reduzir o nervosismo do mercado, pensa, um pronunciamento de Luis Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas até agora, sobre os seus planos na área econômica.
Apesar de traçar um panorama menos sombrio para o futuro econômico do País do que desenham muitos analistas neste momento, Botto não descarta um ‘‘estouro da boiada’’, com grande número de empresas que se endividaram em dólar quebrando. ‘‘Nesse caso, o governo terá duas alternativas: deixá-las quebrar, a um custo social que talvez não devesse pagar, ou entregar ao BNDES papel de socorrê-las’’.

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