Incerteza antecipa a troca do carro
A desvalorização do real, a elevação das taxas de juros e os últimos aumentos aplicados pelas montadoras assustaram os consumidores e fizeram com que eles sacassem os seus recursos de aplicações e antecipassem a compra do carro novo. O vendedor Carlos Santana, por exemplo, diz que não teve dúvida em retirar R$ 5 mil da poupança para pagar à vista a diferença de preço na aquisição de um Passat importado, feita à base de troca: Tomei a decisão antes da disparada do dólar, quando o governo alargou a banda cambial.
A mesma atitude adotou a estagiária Elaina Paula Alves. Ela e a avó juntaram os recursos depositados na caderneta de poupança e, na semana passada, adquiriram um Fiat Uno zero quilômetro por R$ 9,9 mil, à vista, na concessionária Metropolitana. A gente vinha guardando o dinheiro, mas, com a crise, o aumento dos juros e os rejustes das montadoras resolvemos fazer a compra à vista. Elaina confessa que teve receio de que a aplicação não rendesse o suficiente para a compra do carro no futuro: Ficamos com medo que daqui a algum tempo o dinheiro não desse para comprar nenhum modelo zero, como queríamos.
Segundo Antônio Luiz Lang Júnior, diretor da Savena, concessionária Volkswagen de São Paulo, cerca de 80% das compras realizadas em janeiro foram feitas com quitação à vista, mesmo nos negócios que não envolveram troca de veículos. Os 20% restantes foram efetuados por meio de financiamento e leasing: Antes, a proporção era ao contrário.
O economista José Eduardo Favaretto diz que o saque de uma aplicação, mesmo sendo da caderneta de poupança, para a compra do carro novo nem sempre é um bom negócio. Isso só vale para a aquisição de um veículo importado cujo preço ainda esteja cotado pelo dólar antes da desvalorização do real ou, então, de um carro nacional que não incorporou os últimos reajustes aplicados pelas montadoras. Caso contrário, o consumidor pode perder dinheiro. Com os juros altos, a tendência é que o rendimento proporcionado pela aplicação seja maior do que a elevação do preço dos automóveis. Favaretto lembra ainda que existe a possibilidade de um acordo entre montadoras e governo para redução do IPI e do ICMS. Se isso vier acontecer, os preços deverão cair.
Mesmo com a desvalorização do real e os sucessivos reajustes - quatro desde o início do ano -, ainda é possível encontrar ofertas no mercado de nacionais e importados.





