Nos últimos anos as prefeituras e governos estaduais de todo o País têm participado de uma verdadeira guerra oferecendo diversos benefícios para atrair empresas. Os governos oferecem desde terrenos e infra-estrutura até benefícios fiscais. Há casos de governos que ficam sócios das empresas. Esta não é uma prática nova. Um dos casos mais emblemáticos e bem sucedidos no Paraná foi a criação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Entre as empresas instaladas na CIC e que ajudaram a mudar o perfil da capital paranaense, e do próprio Estado, estão a Bosch e a Volvo.
Em Londrina a situação não é diferente. Esta semana o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) lançou edital - disponível no site da prefeitura de Londrina www.londrina.pr.gov.br - para escolher as empresas que poderão ocupar o Parque Tecnológico Francisco Sciarra. Segundo o presidente da Codel, Mauro Viecili, o parque dispõe de fibra ótica, vias asfaltadas, acesso fácil, água e energia elétrica em abundância. ''Este parque é exclusivo para empresas de tecnologia'', afirma Viecilli. É um dos primeiros passos para transformar a cidade em um pólo de tecnologia.
No Parque Tecnológico já estão funcionando algumas empresas, entre elas o laboratório do Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) e a empresa Ângelus Soluções Odontológicas. O Parque está localizado num espaço estratégico, entre Londrina e Ibiporã, ao lado da BR 369, e é um bom exemplo do que é possível fazer quando se planeja e executa com seriedade.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro, é imprescindível que os municípios tenham um plano e executem ações para a atração de empresas que gerem empregos, melhorem a arrecadação e a qualidade de vida dos moradores. ''Todo empresário que se preze sempre está em busca de uma boa oportunidade de negócio. Se ele encontra as condições favoráveis, ele investe'', comenta Ribeiro.
A questão que sempre se coloca é a forma como os benefícios são concedidos. ''É natural que uma prefeitura ofereça a infra-estrutura necessária para a instalação de uma empresa como rede de energia elétrica, água, rede de coleta e tratamento de esgoto, ruas asfaltadas e bons acessos. Mas, há a questão da doação dos terrenos. O que temos visto em Londrina é um certo exagero no tamanho das doações. Veja, o empresário precisa de uma área de 10 mil metros quadrados. Ele pede 20 mil metros quadrados para poder ter uma margem de choro na negociação com a prefeitura. Porém, o que temos visto é que algumas empresas estão recebendo até o dobro da metragem pedida. Qual a razão disso?'', questiona Ribeiro.
Para o presidente do Sescap-Ldr é preciso que os critérios sejam claros e que funcionem para todos. Segundo ele, empresas fortes, com poder político, acabam sendo mais beneficiadas do que outras. Ele cita como exemplo as mudanças de zoneamento que ocorrem em Londrina para beneficiar alguns empreendimentos sem que sejam respeitadas análises técnicas, viárias e de impacto ambiental.
''Um Plano Diretor não pode ser engessado, pois há uma evolução constante na economia e até no perfil da cidade. Porém, é preciso que qualquer mudança seja feita com base em critérios técnicos e não políticos'', disse Ribeiro
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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