O fato de a montadora Chrysler ter se beneficiado do regime automotivo nacional e ter conseguido financiamentos e incentivos fiscais do governo do Estado podem ter sido fator que contribuiu para ela não fechar as portas no Brasil, por enquanto. Por ter uma fábrica no País, a Chrysler consegue importar seus carros, peças e componentes com redução de 14% para 2,7% na alíquota de importação.
O benefício acaba e a empresa terá de devolver aos cofres públicos os benefícios que recebeu, caso faça uma opção futura pelo fechamento da fábrica de Campo Largo. ‘‘A Chrysler não teve condições financeiras para devolver os incentivos, por isso não anunciou o fechamento’’, provocou o senador Roberto Requião.
A empresa voltou a afirmar ontem que está estudando a colocação de uma nova linha de produção para substituir a picape Dakota. Mas ela não nega que possa haver uma decisão futura pelo fechamento. Tudo dependerá da avaliação que será feita em Campo Largo, nas próximas semanas. No final de fevereiro, a diretoria da Daimler/Chrysler detalhará o processo de reestruturação mundial nas unidades da montadora norte-americana.
O governo federal prevê multa em caso de não cumprimento do contrato relativo ao regime automotivo. O programa foi criado no primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso para atrair novas montadoras para o Brasil.
Além dos incentivos fiscais federais, as montadoras ganharam uma série de benefícios dos estados. A Chrysler recebeu dilação do ICMS por quatro anos e financiamento para capacitar mão-de-obra e para comprar o terreno, onde está instalada em Campo Largo.
Os detalhes do protocolo de intenções são mantidos em sigilo pelo governo do Estado e empresa. Deputados da oposição vão tentar aprovar um pedido para que o governo seja obrigado a dar informações sobre os benefícios dados à Chrysler.
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, garantiu que, em caso de fechamento das portas no Paraná, a empresa terá de devolver os benefícios. ‘‘O Estado não perde os incentivos que deu. A empresa terá de pagar o financiamento e recolher os impostos’’, afirmou o secretário. Salomão não cogita a possibilidade de a empresa fechar. Em sua avaliação, a Chrysler optará pela fabricação de um modelo mais barato e competitivo.

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