Incentivo às montadoras gerou prejuízos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de dezembro de 2001
Vânia Casado<bR>De Curitiba 
Um estudo feito pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) concluiu que os investimentos feitos pelos governos do Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, para atrair a vinda das montadoras Renault, General Motors e Mercedes-Benz praticamente se equiparam ao total de investimentos iniciais feitos por essas empresas. O estudo foi publicado no jornal ''O Estado de São Paulo'' no último domingo.
No caso da Renault,instalada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, o total dos subsídios concedidos ao longo de 10 anos somam R$ 353,7 milhões, enquanto o capital inicial da empresa foi de R$ 1 bilhão. De acordo com o estudo, os incentivos dados pelo Rio Grande do Sul e Minas Gerais praticamente equipararam aos investimentos das empresas. Técnicos da Unicamp calculam que esses incentivos encareceram o custo do emprego, avaliado entre R$ 328 mil a R$ 400 mil por vaga nos três Estados, o que representa um prejuízo para o País.
Para o coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, a estratégia do Paraná em aderir à guerra fiscal para atrair as montadoras não está errada. Mas ele concorda com o estudo da Unicamp de que todos perderam, porque as montadoras iriam investir no País de qualquer maneira, com ou sem incentivos.
Segundo Cordeiro, faltou aos governos exigirem alguns compromissos por parte das montadoras, como por exemplo a venda de um certo percentual de veículos no mercado interno para gerar ICMS. Isso porque a exportação de veículos é isenta de ICMS. Metade da produção da Volkswagen, por exemplo, é exportada.
Na avaliação de Cordeiro, as montadoras elegeram o quadrilátero formado pelos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para seus investimentos. Como todos eles ofereceram incentivos, os benefícios se anularam e o que pesou na escolha das montadoras realmente foi a logística, proximidade de mercado consumidor, capacitação de mão-de-obra e outros itens.
Para evitar as perdas, faltou um ''pacto federativo'' que eliminariam os custos para a sociedade, disse Cordeiro. No caso do Paraná, a sociedade vai arcar com o custo financeiro da dilação (postergação) do recolhimento do ICMS por 48 meses, que foi prorrogado por mais 60 meses.


