Incentivo ao consumo de carne de carneiro
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segunda-feira, 22 de maio de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Emater Paraná e outras instituições parceiras do Programa Paranaense de Estruturação das Cadeias de Ovinos e Caprinos querem fechar o cerco contra o abate e distribuição clandestinos desses animais. Uma parceria com a Associação Brasileira de Bares, Restaurantes e Similares (Abrasel) no Paraná pretende assegurar que os estabelecimentos comprem carne somente de produtores organizados.
Além da garantia de origem, a proposta é estimular o consumo, especialmente, da carne de cordeiro. ''É um produto altamente competitivo e queremos inseri-lo na culinária de lanchonetes e restaurantes'', afirmou o coordenador do programa na Emater, Cézar Amin Pasqualin. Os criadores estão investindo na produção da carne de cordeiro precoce, com quatro a cinco meses de idade.''A carne é mais saborosa e tenra'', assegurou o técnico ao falar da possibilidade de agregar o cordeiro a pratos da culinária asiática, por exemplo, em substituição a outros tipos de carne.
Um dos primeiros passos do programa de incentivo à ovinocultura e caprinocultura foi a organização dos criadores. As experiências ainda são poucas, como a da Cooperativa Capanna, de Londrina, e das cooperativas Castrolanda e Batavo, em Castro. Mas, parte da produção paranaense já é exportada para o Rio Grande do Sul estado de tradição na ovinocultura, lembrou Pasqualin.
A oferta da carne de ovinos é insuficiente para atender a demanda, admitiu o técnico da Emater, o que acaba abrindo espaço para o mercado clandestino. Uma das maiores dificuldades em atrair novos criadores é que o investimento para formar um rebanho comercial é maior em função da escassez de matrizes. Por isso, a intenção é fortalecer a produção entre os criadores já existentes, organizando a cadeia produtiva a partir da oferta de assistência técnica e da promoção do abate e distribuição da carne em grupos.
Um próximo passo, revelou Pasqualin, é desenvolver subprodutos da carne de ovinos, como charque, linguiça e salame. Por enquanto, o volume de produção é insuficiente.
O Paraná reúne cerca de 22 mil produtores de ovinos e caprinos. O rebanho de ovinos é de aproximadamente 500 mil cabeças e de caprinos 60 mil cabeças. Para atender toda a demanda, Pasqualin estima que seria necessário um rebanho de 4,5 milhões de cabeças.
O coordenador do programa de ovinocultura nos Campos Gerais, Willis Adolfo Amatneeks Júnior, acrescentou que em, Ponta Grossa, o Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais (Cescag) aderiu ao projeto, criando o primeiro laboratório do Sul para inseminação artificial e transferência de embrião de ovinos e caprinos. O Cescag Genética está fazendo parcerias com prefeituras da região para oferecer cursos e fornecer sêmen aos produtores.
Outro exemplo, lembrou Amatneeks, é o da Prefeitura de Palmeiras, que repassou exemplares de ovelhas para produtores do município. Em contrapartida, os criadores doam matrizes que serão repassadas a outros produtores.


