Dois funcionários da montadora Daimler-Chrysler em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, estão internados com queimaduras graves desde o dia 1º de março, devido a um acidente de trabalho. Em nota divulgada ontem a empresa reconhece que o acidente ocorreu e que mais três pessoas ficaram feridas levemente.
De acordo com a montadora, o acidente aconteceu durante uma ‘‘operação de limpeza na área de aplicação de cera localizada junto à liberação de veículos produzidos pela fábrica, quando uma faísca de uma bomba elétrica provocou um início de incêndio’’. Os órgãos de representação de classe só tomaram conhecimento do caso ontem pela manhã, quando a Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Paraná estava fazendo uma assembléia na porta da Chrysler.
Os funcionários da montadora disseram aos membros da federação que o acidente pode ter ocorrido porque muitos funcionários estão tendo que realizar atividades das quais não têm domínio. Nuncio Mannala, diretor de saúde do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná, diz que não há provas sobre isso. ‘‘Mas é difícil que as 250 pesssoas estivessem mentindo.’’ A empresa nega essa versão. ‘‘Os colaboradores da fábrica são multifuncionais. Para não realizarem uma função rotineira, eles são treinados para realizar várias tarefas’’, declarou a assessoria de imprensa da fábrica.
Mannala disse que os trabalhadores da Chrysler votaram por entrar em greve ontem, em solidariedade aos colegas feridos. ‘‘Mas nós orientamos que a melhor coisa era entrar na Justiça.’’
Adriano Borges Sampaio, um dos funcionários feridos, está internado no Hospital São Lucas, em Campo Largo, com 45% do corpo com queimaduras de terceiro grau. O hospital não quis dar informações sobre o caso, mas um funcionário informou que o paciente estava em situação estável. O outro trabalhador ferido, Nilton Carlos Lopes, internado com queimaduras de segundo grau no Hospital Evangélico, em Curitiba, também apresenta o quadro de saúde estável.

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