Incêndio atrasa embarques de soja
Vânia Casado
De Curitiba
Um incêndio de pequenas proporções que afetou duas correias do corredor de exportaçao do Porto de Paranaguá, na madrugada de quinta-feira, atrasou os embarques de soja exatamente nos dois dias da semana em que a commoditie teve uma alta expressiva, em função da expectativa de prolongar o período de seca que pode afetar a produção nos Estados Unidos. Até quarta-feira, o preço da soja variava de R$ 16,50 a R$ 17,10 em Paranaguá e os negócios estavam paralisados. Nos dois últimos dias, a soja teve uma alta de 8,77% e estava ofertada a R$ 18,40 para compra e R$ 18,60 para venda.
Com a elevação na cotação do grão no mercado futuro de Chicago, o reflexo no Brasil foi imediato, para reativar as exportações, que estavam totalmente paralisadas em função dos baixos preços do grão. Com o incêndio, os exportadores ficaram preocupados com o atraso nos embarques, disse o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Alceu Claro Chaves. Segundo ele, os exportadores querem aproveitar o momento favorável para exportar o quanto antes, antes que as cotações oscilem novamente para baixo. Mas a perda de produtividade com o prejuízo de duas esteiras que estão paralisadas é um motivo de forte preocupação, destacou.
O diretor técnico do porto Luiz Estevão Vasconcellos, disse que as operações de embarque de soja ficaram comprometidas entre 15% e 20%. Os exportadores afirmaram que se fosse período de pico de safra, o estrago provocado pela paralisação seria maior. Dos seis shiploaders que faziam o transporte das esteiras para o cais, apenas quatro estavam fazendo a operação normalmente. O quinto shiploader não estava operando com plena capacidade, porque só podia atender um terminal. Vasconcellos calcula que pelo menos 15.000 toneladas de soja deixaram de ser embarcadas ontem. Os prejuízos ainda estão sendo levantados pela companhia seguradora.
Ontem, os exportadores, reunidos com o diretor técnico do porto de Paranaguá, Luiz Estevão Vasconcellos, pediram a dispensa da abertura de licitação para consertar os equipamentos danificados, que demandaria um período superior a 40 dias para o equipamento voltar a funcionar. A medida tem caráter emergencial e visa não atrasar as exportações de soja e farelo, para não acarretar prejuízos aos exportadores, justificou Chaves. Segundo ele, o presidente do porto Osiris Stenguel Guimarães iria entrar em contato com o governador Jaime Lerner ainda ontem para fazer o pedido. Vasconcellos disse aos exportadores que uma das correias danificadas poderia ser consertada em no máximo 10 dias. Mas a outra, mais prejudicada pelo fogo demoraria até 30 dias paras voltar a operar.





