Curitiba - Quando a empresa Montana, com sede em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), lançou a idéia de fabricar tratores no Paraná, a previsão era investir 20 milhões de euros. Ontem, no entanto, através de uma sociedade firmada com a empresa italiana Landini, a Montana inaugurou a fábrica utilizando apenas 20% do orçamento inicialmente previsto, o equivalente a 4 milhões de euros. A Landini entra com o conhecimento da tecnologia aplicada em tratores. Já a Montana fica responsável pela produção e distribuição, além de entrar com o conhecimento de mercado.
Vice-líder brasileiro no setor de pulverizadores, a Montana optou por diminuir os riscos em função da crise agrícola, iniciada nos últimos 18 meses. Conforme explicou o presidente da Montana, Gilberto Zancopé, devido aos prejuízos dos agricultores nas colheitas de 2005 e 2006, a expectativa com a venda dos tratores é conquistar apenas 1% do mercado - que corresponde à América Central e do Sul. ''É uma expectativa muito baixa e pouco ambiciosa, mas é o que podemos fazer agora para não ficar no prejuízo'', disse Zancopé.
O ideal, segundo ele, era atingir 5% do mercado, com a fabricação de 10 tratores por dia e um ganho de R$ 450 milhões ao ano. A fábrica inaugurada ontem inicia a montagem de apenas um trator por dia e prevê um ganho de apenas R$ 30 milhões em 2006. No caso dos pulverizadores, a Montana é responsável pelo abastecimento de 40% do mercado, mas somente no ano passado já registrou uma queda de 50% nos lucros.
''Aproveitamos a linha de montagem destinada aos pulverizadores para poder inaugurar a fábrica de tratores'', explicou o presidente, que aguarda uma melhoria no mercado agrícola somente a partir de abril de 2007, ''quando será possível acelerar a produção''. Este ano, o presidente explica que a empresa deverá manter o mesmo ritmo de 2005.
Com a inauguração, a Montana também apresenta uma novidade no comércio agrícola do País: a distribuição dos tratores será feita através de 30 concessionárias mantidas por duas cooperativas, localizadas em Palotina (PR) e Rio Verde (GO). ''Achamos que as cooperativas estão mais próximas dos agricultores'', esclareceu Zancopé. Cada trator será vendido a R$ 150 mil.

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