Inadimplência torna comerciantes mais exigentes
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segunda-feira, 11 de agosto de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
O medo da inadimplência tem levado os comerciantes a serem mais seletivos na hora de aceitar um cheque. A cada dia, os golpistas inventam uma nova maneira de enganar até as máquinas. Segundo Marcelo Cassa, diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), a maioria dos cheques devolvidos é de contas com menos de seis meses de existência. Além de um histórico bancário de no mínimo um ano, os lojistas exigem cheque do próprio cliente, apresentação de documento, cadastro e consulta de crédito. ''Infelizmente, os bons pagadores pagam pelos maus'', acrescentou Claudinei de Bossi, presidente da Associação de Lojistas do Shopping Catuaí.
Embora seja uma medida compreensível, muita gente ainda se ofende com a dúvida. Para Alcides Carlesso Júnior, supervisor de vendas da rede Pura Mania, a melhor maneira de evitar constrangimentos é informar o cliente sobre essas exigências antes que ele chegue ao caixa e, se ele insistir, oferecer alternativas de pagamento. ''Muitas vezes, o consumidor não preenche esses requisitos, mas numa conversa amigável conseguimos realizar a venda sem constrangê-lo. Tudo é questão de sensibilidade e treinamento da equipe'', explicou.
A coordenadora de eventos do Studio CDI, Giselle Zaninelli Cremonez, não teve essa sorte. No último domingo, ela e o marido tentaram fazer compras num shopping de Londrina e saíram da loja revoltados. De acordo com Giselle, eles iriam gastar quase R$ 700,00 para presentear o pai e o sogro, mas foram surpreendidos com a rejeição do cheque. ''A loja só aceitava dinheiro, cheque eletrônico ou cartão de crédito. O fato de sermos clientes não significou nada naquele momento. Por isso, compramos no concorrente e nunca mais voltaremos lá'', afirmou. Elza Matsumoto, gerente da Sueko Jóias e Relógios, lembra de uma época em que não recebia cheque como pagamento. ''Tivemos que ser mais flexíveis porque é muito difícil vender nessa condição''.
Conforme o coordenador do Procon de Londrina, Gerson da Silva, ninguém é obrigado a aceitar cheque como pagamento. No entanto, a partir do momento que o comerciante abre essa possibilidade não pode discriminar o cliente, seja pela origem da conta ou tempo de abertura. Nesses casos, o consumidor pode dar queixa no Procon e até instaurar um processo na Justiça comum exigindo indenização por danos morais. ''Assim que tivermos um fiscal, vamos percorrer o comércio para coibir este tipo de abuso'', adiantou.


