Inadimplência tem maior alta em nove anos
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A inadimplência do consumidor no primeiro semestre deste ano cresceu 22,3% em comparação com o mesmo período de 2010, a maior alta do indicador em nove anos. As informações foram divulgadas ontem pelo Serasa Experian. Foi registrado também o maior crescimento nas comparações mensal e anual. Em junho, o índice perdeu o fôlego e registrou alta de 7,9%, na comparação com maio. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador apontou crescimento de 29,8%.
De acordo com avaliação dos economistas do Serasa, o crescimento da inadimplência no semestre é justificado pelos efeitos da política monetária para controle da inflação, alta dos juros, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e encarecimento do crédito.
O consultor econômico da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR) e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-PR), Vamberto Santana, relacionou o aumento da inadimplência com os gastos do consumidor superiores à renda mensal. ''O consumidor assume prestações com valores altos que superam a renda'', disse. Segundo ele, desta vez, o desemprego não é o principal motivo para o problema.
Santana destacou que o aumento da inadimplência prejudica o comércio, que atinge uma receita menor. Com isso, os lojistas redobram os cuidados com as vendas a prazo.
O consultor comentou que a inadimplência deve cair gradualmente até o final do ano. A expectativa é que, com a entrada do 13º salário, haverá uma destinação maior deste recurso para regularizar dívidas.
O economista destacou ainda que os brasileiros não tomaram cuidados nas compras depois que o Governo Federal anunciou medidas restritivas ao crédito, como a alta dos juros e do Imposto sobre Obrigações Financeiras (IOF).
Segundo dados da pesquisa da Fecomércio, as vendas do comércio paranaense cresceram 11% em 2010 e, a expectativa para este ano, é de um crescimento de 6% a 8% por conta destas medidas restritivas.
Dívidas com bancos
A pesquisa do Serasa mostrou que a alta da inadimplência com os bancos (8,1%) foi a principal responsável por pressionar o índice mensal. As dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água), e os cheques sem fundos também colaboraram para a alta com variação de 5,4% e 18,9%, respectivamente. Os títulos protestados não permitiram que o índice subisse pouco mais, com queda de -11,7%.
No primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o valor médio das dívidas não bancárias caiu 20,2%. As dívidas com os bancos também apresentaram queda de 2%. Os títulos protestados e os cheques sem fundos tiveram alta de 14,9% e 7%, respectivamente. (Com Agência Estado)


