Inadimplência sobe, mas não deve prejudicar Natal
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sábado, 10 de dezembro de 2011
<br> Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba- A inadimplência do consumidor brasileiro teve alta de 9,46% em novembro deste ano em comparação com o mesmo período de 2010, mas isso não deve prejudiciar as compras de Natal. A preocupação das famílias em não se endividarem às vésperas desse período e a injeção de novos recursos na economia, como o pagamento do 13º salário, permitiram que os consumidores limpassem seu nome, fazendo com que a inadimplência registrasse uma queda de 12,11% em novembro sobre outubro.
No acumulado do ano, entretanto, o crescimento da inadimplência é de 5,69%, conforme os dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
Em Curitiba, a inadimplência medida pela Associação Comercial do Paraná foi de 8% em novembro e, portanto, mais alta que o índice registrado em outubro que ficou em 6%. No entanto, o economista, diretor da Datacenso e consultor econômico da Associação Comercial do Paraná (ACP), Claudio Shimoyama, destacou que o índice da Capital ainda está abaixo da média nacional.
Ele acredita que, em dezembro, o índice deve diminuir em função do pagamento do 13º salário que deve ser direcionado para o pagamento de dívidas. ''O consumidor está mais consciente'', disse.
Shimoyama observou que o SPC da ACP recebe cerca de 30 mil consultas por mês. Em outubro, a Associação Comercial realizou uma pesquisa com 1.120 pessoas. O levantamento apontou que 56% dos entrevistados pretendem renegociar as suas dívidas, dos quais, 40% vão procurar a loja para fazer o acerto e 16% pretendem pagar o que devem imediatamente. A pesquisa mostrou ainda que 55% das pessoas vão usar o salário para pagar as dívidas e 19% devem utilizar o 13º salário. Além disso, 58% pretendem retomar as compras a prazo entre novembro e janeiro.
Em Londrina, a inadimplência teve aumento de 10,3% no período de janeiro a novembro deste ano. Levantamento da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) aponta que no início do ano o aumento foi muito intenso, mas nos últimos dois meses houve desaceleração.
O diretor comercial da Acil, Marcelo Ontivero, disse que de janeiro a novembro, a inadimplência na cidade ficou em 10,3%. ''É um sinal amarelo de preocupação'', comentou. Ele não descartou que ocorra um aumento da inadimplência em dezembro em função do apelo comercial do Natal.
A orientação da Acil, diante do que considera um elevado índice, é de que os empresários tomem todos os cuidados necessários nas operações e façam as consultas nos órgãos de crédito para evitar o risco de prejuízos.
De acordo com o SPC, o período de instabilidade econômica devido à crise externa, a consequente redução do nível de confiança de consumidores e empresários e o encarecimento do crédito contribuem para o endividamento e a elevação no número de registros. O décimo mês de elevação ininterrupta da inadimplência consolida um quadro de endividamento maior em 2011, diferentemente de 2010 e 2009, quando houve queda da inadimplência medida pelo SPC Brasil. (Com Agências)


