Inadimplência preocupa
Guto Rocha
Mesmo com os preços menores do que os praticados no ano passado, os donos e gerentes de loja em Londrina estão cautelosos em fazer previsões quanto ao volume de vendas nesta estação. O presidente da Associação Comercial e Industrial (Acil), Abílio Medeiros Júnior, afirma que no ano passado o ‘‘veranico’’ em pleno inverno frustrou as vendas. ‘‘A expectativa para este ano é boa se tomarmos como base as vendas do Dias da Mães. Mas o que vai determinar o desempenho das vendas será mesmo o clima’’, comentou.
Medeiros Júnior observa também que outro fator que pode afetar as vendas neste inverno é o alto índice de inadimplência que o comércio enfrenta. ‘‘Ainda não fechamos o balanço, mas o nível de inadimplência é grande e continua crescendo’’, comenta. O presidente da Acil observa que o ‘‘calote’’ ainda é um efeito das compras do final do ano passado.
O gerente das Lojas Riachuelo, Antonio Sampaio de Andrade, afirma que este ano os consumidores estão preferindo fazer compras pequenas e prazos de pagamentos menores. ‘‘O cliente está mais inibido para fazer negócios com prazos longos, preferindo as compras à vista ou com prazos menores, que possibilite se programar melhor’’, afirma.
No início da semana, quando a temperatura estava mais alta, Andrade trabalhava com uma expectativa de venda este ano 5% menor. Mas com a queda da temperatura a partir de quinta-feira, o gerente da Riachuelo disse que esta tendência pode se reverter, caso as temperaturas permaneçam baixas. ‘‘Com a queda na temperatura esta semana já foi possível notar um aumento no movimento’’, afirma.
Segundo Andrade, os preços este ano sofreram uma redução entre 10% e 20%. ‘‘Muitos lançamentos este ano estão com os mesmos preços do ano passado ou mais baixos’’, diz. Uma das peças mais procuradas nesta estação, diz ele, são os sobretudos de lã. O produto, importado do Uruguai, baixou de R$ 199,00 no ano passado para R$ 159,00 neste inverno.
O proprietário de uma rede de quatro lojas em Londrina, Rachid Zabian, afirma que os preços este ano estão menores porque as lojas estão trabalhando com estoques do ano passado. ‘‘No inverno passado o volume de importações foi muito grande e o frio só durou alguns dias diminuindo as vendas’’, comenta. Outro fator determinante para que os preços ficassem menores, segundo Zabian, é que os lojistas não repassaram a variação cambial ocorrida no período para as roupas que estavam estocadas.
Mas o comerciante acredita que no próximo inverno os preços sofram um aumento por causa das restrições que o governo fez às importações de confecções. ‘‘As regras mudaram, o governo organizou o setor e fechou um pouco mais o mercado’’, comenta.

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