Inadimplência pode ter novo recorde
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - A inadimplência subiu acima do esperado na primeira quinzena de maio e pode resultar num novo recorde este mês, acima dos números de março, se a situação se repetir na segunda quinzena. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Associação Comercial de São Paulo recebeu 163.290 registros com atraso superior a 30 dias entre os dias 1º e 15 deste mês, 75,3% mais do que no mesmo período do ano passado. Em março o serviço recebeu 275.915 registros no mês todo.
O que mais preocupa é que nesta época do ano a inadimplência deveria estar caindo e está aumentando, diz o presidente da Associação, Élvio Aliprandi. Ao contrário de outros meses, desta vez o calote está aumentando mais do que o número de consultas ao SPC. Na primeira quinzena deste mês, o SPC recebeu 705.669 consultas, 32,3% mais do que no mesmo período do ano passado e apenas 4,3% mais do que na primeira quinzena de abril. Comparando a média diária de consultas, o crescimento sobre abril é de 13%, porque abril tinha um dia útil a mais.
O movimento de desaceleração é claro, diz o economista da Associação, Emilio Alfieri. Passamos de um patamar de crescimento de 54,5% em janeiro para 32,3% agora, afirma. Segundo ele, essa redução do crescimento é explicada também pela base maior em maio do ano passado e pela própria inadimplência. O endividamento gera uma maior cautela tanto dos lojistas como do consumidor, diz. O efeito do aumento do IOF ainda não foi sentido, segundo Alfieri. Ainda é prematuro para avaliar o impacto, diz. Esses números mostram que a elevação da alíquota do IOF não era necessária, porque o consumo já está reduzindo sozinho, diz Aliprandi.
No Telecheque, que mede vendas à vista, o crescimento foi 21,91% na comparação anual e de 3,2% em relação à primeira quinzena de abril. Comparando com a média diária, as consultas ao serviço aumentaram 11,8% sobre abril.
O número de registros cancelados (pessoas que pagam suas dívidas e deixam a lista negra do SPC) acompanhou o aumento do número de consultas. O total de 62.950 cancelamentos representa um crescimento de 32,3% sobre maio do ano passado. Em relação a abril, o número caiu 0,6% na quinzena. A inadimplência aumentou, mas o cancelamento ficou estável, diz Alfieri.


