Inadimplência pode crescer em 2004
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terça-feira, 09 de dezembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O eventual aumento da oferta de crédito ao consumidor em 2004 pode elevar a inadimplência no País, alertou ontem o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca. Mas isso não significa necessariamente que o comércio tenha de adotar restrições severas na concessão de crédito aos clientes. Ao contrário. Segundo De Lucca, a concessão de crédito é boa e necessária tanto para o empresário quanto para o consumidor.
''Neste momento da economia brasileira, o importante é saber, do lado empresarial, como ofertar crédito com segurança. E, do lado do consumidor, como se planejar para não cair na inadimplência'', diz o executivo.
Em 2003, a oferta de crédito caiu em relação a 2002. Mesmo assim, o último Indicador Regional de Cheques Sem Fundos da Serasa, referente a outubro, revela que o volume de cheques devolvidos por falta de fundos (a cada mil compensados) aumentou nas cinco regiões do País, na comparação anual com outubro de 2002, e no acumulado dos dez primeiros meses do ano.
A Serasa aponta ainda aumento de 12,9% no volume de cheques sem fundos na comparação entre janeiro-outubro de 2003 e o mesmo período de 2002. Nos dez primeiros meses deste ano, foram registrados 15,7 cheques sem fundos a cada mil compensados, contra 13,9 em 2002. Os números de outubro acumulados são os maiores já registrados desde 1991, quando foi criado o índice.
Considerando que houve desaquecimento da demanda em 2003 e que o comércio precisa de uma retomada nas vendas, De Lucca considera que é importante saber conceder crédito. ''De uma forma geral, o brasileiro é bom pagador. Por isso, conhecer o histórico da pessoa é muito mais importante'', ressalta o executivo.
Já na ponta do consumidor, o empresário aconselha um cuidado especial na hora de fazer compras parceladas. ''O consumidor não pode mais trabalhar sem analisar todo o seu orçamento durante o período de prestações'', diz. É típico do consumidor brasileiro fazer as contas para um período de dois, três meses. ''Só que é preciso se planejar para todo o período das prestações.'' Isso significa que o consumidor deve levar em conta os gastos fixos durante todo o parcelamento, incluindo, por exemplo, gastos com matrícula e material escolar, pagamento de IPVA e dos tributos municipais. ''São gastos que precisam ser incluídos no planejamento orçamentário antes de o consumidor assumir compromissos financeiros''.


