Carmem Murara
De Curitiba
O ano de 1999 fechou com saldo positivo para o comércio varejista, que pôde sentir mês a mês uma desaceleração no crescimento da inadimplência. O balanço do ano mostra que houve queda de 14,5% no número de consumidores que deixaram de pagar as prestações no crediário e de 20,6% no caso das operações feitas com cheques pré-datados (consideradas à vista). Apesar dos números anuais favoráveis, em dezembro houve um crescimento de 2,9% na inadimplência sobre o mês anterior.
O aumento quebra uma tradição de queda no nível do calote no último mês do ano. Normalmente em dezembro os consumidores pagam as contas atrasadas e limpam o nome utilizando o 13º salário. ‘‘Os lojistas sempre tentam uma negociação de até 180 dias antes de colocar o consumidor na lista dos inadimplentes, mas este ano muitos resolveram antecipar o prazo’’, justificou o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Élcio Ribeiro.
Em toda a Região Metropolitana de Curitiba, 42,8% da população economicamente ativa não conseguiu honrar o pagamento das prestações do crediário e, como consequência, teve seu nome incluído na lista do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Este percentual já chegou a atingir metade da população economicamente ativa, que é de 1,1 milhão de pessoas. Em dezembro, havia 479 mil consumidores na lista do SCPC.
Quanto às vendas natalinas, a expectativa feita pela Associação Comercial é que elas seriam 10% superiores a 98. Mas o balanço final feito com base no número de consultas aos serviços de proteção ao crédito mostrou que o aumento nas vendas foi de 9%. ‘‘Sobrou mercadoria e por isso deve haver mais liquidações no comércio neste mês’’, afirmou Ribeiro. O setor que mais está promovendo queima de estoques é o de eletroeletrônico.
Durante as semanas que antecederam o Natal, o aumento nas vendas foi maior nas lojas de artigos esportivos e de recreação (108%), aparelhos de som e instrumentos musicais (95,7%), calçados (88,6%), roupas (81,5%) e jóias e relógios (80,4%). A queda nas vendas ocorreu nos consórcios (-18%), alimentos vendidos no atacado (-15%) e tecidos em geral (-14%).

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