Inadimplência no comércio cresce 7,8% em Londrina
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sexta-feira, 19 de julho de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A taxa de inadimplência dos consumidores no comércio cresceu 7,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, em Londrina. Os números são da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), que faz a comparação entre todos os registros de abertura e fechamento de dívidas com lojistas associados na cidade. Apesar do aumento, o diretor da entidade, Brasílio Fonseca, afirma que não há motivo para preocupação porque a variação foi menor do que no mesmo período de outros anos.
Desde abril o índice estava em queda, mas voltou a subir em junho, conforme a Acil. Fonseca conta que a alta está fortemente ligada à instabilidade política e ao aumento da inflação, que pressiona a renda do consumidor e os orçamentos familiares. Mesmo assim, o diretor diz que o percentual não chega a assustar. "É um recurso que o lojista deveria ter em mãos, mas vai demorar um pouco para receber. É algo que varia e não dá para fazer uma previsão de desgraça por isso."
Para o diretor da Acil, o clima no comércio é de otimismo para o segundo semestre por três motivos. Ele conta que, sempre que há desaquecimento no setor, há uma união de forças de todas as entidades para fortalecer a cadeia varejista. Outro ponto é que, historicamente, as vendas nos últimos seis meses do ano são superiores às de janeiro a junho. "E ainda temos uma demanda reprimida do primeiro semestre, que precisa ser suprida de alguma forma nos próximos meses."
No País
Os números londrinenses para o semestre são pouco superiores aos nacionais. De acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), houve leve variação em junho sobre maio, de 0,67%, que deixou o acumulado no semestre em 6,40%.
O órgão divulgou ontem a concentração de consumidores inadimplentes por sexo, idade e valor da dívida registrada no banco de dados do SPC Brasil. As mulheres são maioria, com 53,77% do total. As pessoas com mais de 65 anos são 24,22% das que mais enfrentam problemas, seguidas pelas de 30 a 39 anos, com 22,70%. Ainda, 49,53% das dívidas superam os R$ 500.
Na opinião do professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a estagnação pode ser associada à inadimplência. "Quando a economia está crescendo, as pessoas se arriscam mais, mas quando acaba a euforia, contratações e investimentos são retraídos e isso repercute no índice."
Sobre as divisões por faixa etária e tamanho da dívida, Nascimento cita que esse entusiasmo fez com que o consumidor fizesse financiamentos de valor alto, acima de R$ 500, o que dificulta o pagamento. Ele lembra que o assédio por parte de financeiras é muito grande sobre idosos e que já teve uma experiência na qual identificou o alto índice de empréstimos nesta faixa etária em comunidades indígenas, o que se repete entre a população em geral. "As pessoas tendem a pedir para idosos fazerem empréstimos porque os consignados, para aposentados, têm juros mais baixos."



