Pelo terceiro mês consecutivo, a inadimplência bateu recorde no comércio varejista da Região Metropolitana de Curitiba. Levantamento mensal feito pela Associação Comercial do Paraná (ACP) aponta que, em março, 39,7% da população economicamente ativa não honrou seus compromissos de pagamento das compras feitas no crediário. Trata-se de um aumento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 29,5% dos consumidores deram calote no comércio. A inadimplência é a mais alta desde o início do Plano Real, em junho de 1994.
A falta de pagamento no crediário atinge 443,6 mil consumidores, que passaram a engrossar a lista do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O número de curitibanos que passaram a ser considerados inadimplentes aumentou em 63,8% em março, em relação a fevereiro. Se a comparação for sobre fevereiro do ano passado, o crescimento foi de 48,3%.
O elevado índice de calote não assusta mais os comerciantes, que se acostumaram a conviver com os ‘‘maus consumidores’’ e até propõem negociação da dívida. ‘‘Daqui para frente só vai dar recorde de inadimplência’’, prevê, em tom pessimista, o vice-presidente da Associação Comercial, Luis Nardeli.
Para Nardeli, o consumidor não consegue pagar as contas em dia porque não calcula o quanto uma prestação vai encarecer com a incorporação dos juros. O atraso em um pagamento representa um acréscimo de até 10% no valor da prestação. A dívida acaba se tornando uma bola de neve, que leva as pessoas a parar de pagar o restante do débito.
As vendas à vista ou com pagamento a curto prazo (cheque pré-datado) têm sido menores do que as vendas a longo prazo (carnê). Enquanto as compras em poucas prestações aumentaram em 8% entre fevereiro e março, as compras no carnê subiram 14,8%.

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