Curitiba A crise nos municípios atinge em cheio a Companhia Paranaense de Energia (Copel). A inadimplência atual na empresa é de R$ 187 milhões, sendo que metade desse valor se refere a dívidas não pagas pelos municípios. O valor foi passado ontem pelo presidente da Copel, Paulo Pimentel, durante a reunião semanal do secretariado estadual.
Segundo Pimentel, a companhia também é prejudicada por decisões judiciais que impedem a cobrança de dívidas de grandes consumidores privados. Em relação aos municípios, que devem R$ 93 milhões, ele disse que a Copel está renegociando as dívidas. A Prefeitura de Curitiba, maior devedora, já acertou o parcelamento de uma dívida de R$ 65 milhões, informou Pimentel. De acordo com a assessoria de imprensa da Copel, a maior parte das dívidas se refere à cobrança da iluminação pública.
O endividamento da Copel atingiu 46,8% do patrimônio líquido em 2002. A dívida atual da empresa é de R$ 2,4 bilhões e as projeções apontam para um prejuízo de R$ 550 milhões neste ano. Por outro lado, Pimentel anunciou investimentos de R$ 240 milhões até 2006 para estender para todo o Paraná a rede de fibra ótica da companhia, para transmissão de dados. Ele também falou da intenção de construir uma nova hidrelétrica e de assumir o controle acionário da UEG Araucária. A Copel vai continuar batalhando para que a energia gerada pela Copel seja repassada ao pool nacional de energia somente após atender as necessidades do consumo estadual.
Segundo o analista Mohamed Talah Junior, a inadimplência na Copel está muito alta. ''Mesmo que a Copel seja considerada a melhor empresa elétrica da América Latina, ela está com sérios problemas'', observou. Os papéis da Copel estão depreciados, negociados na faixa dos R$ 8,00, menos da metade do valor patrimonial das ações. ''O governo estadual poderia deixar de repassar recursos para as prefeituras que não pagassem a Copel'', exemplificou. Ele disse também que o Ministério das Minas e Energia precisa definir as regras do setor elétrico.
O operador da Bovespa da Global Invest, Márcio Bandeira, também disse que os riscos da Copel recaem no lado político. Mas ele alertou para o problema da dívida, que segundo ele não tem mecanismos de proteção cambial (hedge) suficientes. ''A Copel está exposta à variação cambial, que sofrerá grande especulação no segundo semestre'', sustentou. Na avaliação dele, as renegociações da Copel com as prefeituras vão minimizar o problema da inandimplência, assim como o cancelamento do aumento da tarifa, que será transformado em desconto para o consumidor que pagar a fatura em dia.

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