Carmem Murara
De Curitiba
A queda nos índices de inadimplência no comércio curitibano, que deixou os lojistas otimistas nos últimos quatro meses, foi interrompida em novembro. A pesquisa mensal feita pela Associação Comercial do Paraná revelou que houve um aumento de 1,5% no número de pessoas que voltaram a não honrar o compromisso de pagar as prestações no crediário. Os dados da inadimplência foram divulgados ontem pela Associação Comercial do Paraná, que apontou ainda uma queda nas vendas no comércio.
Segundo o levantamento mensal, feito junto aos associados, 41,6% da população economicamente ativa está sem capacidade de fazer compras no crediário, pois têm algum tipo de dívida pendente. Para ser considerado um inadimplente e, portanto, passar a fazer parte da lista do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), um consumidor tem de estar com uma prestação atrasada por mais de 30 dias. A inadimplência chegou a atingir metade da população em meados deste ano.
A diretoria da Associação Comercial do Paraná justifica o resultado no efeito do reajuste das tarifas públicas, que pesaram no orçamento familiar. ‘‘As pessoas não têm como cortar o pagamento das despesas de luz, telefone e combustíveis, por isso elas preferem adiar o pagamento de uma compra que fizeram’’, afirmou o vice-presidente de Serviços da Associação Comercial, Élcio Ribeiro. Entre as inclusões e exclusões, a inadimplência representou a entrada de 4.265 consumidores a mais que estão com o ‘‘nome sujo’’ na praça.
Quanto às vendas a prazo, a queda foi de 0,98% em novembro sobre o mês anterior. ‘‘As vendas em novembro, normalmente, são mais fracas do que em outubro, quando há o Dia da Criança’’, lembrou Ribeiro. Há ainda um adiamento das compras para dezembro, por causa do período natalino.
Os maiores índices de queda foram nos setores de aparelhos de uso doméstico e pessoal com redução de 50,6%. Os hipermercados, supermercados e mercearias tiveram queda nas vendas de 31% e as lojas de departamento de 45%. Houve aumento na comercialização de artigos para escritório (64%) e materiais de construção (14%).
As vendas à vista também apresentaram redução, que ficou em 3,53% em relação a outubro. Ao mesmo tempo, houve uma queda de 20,5% na emissão de cheques sem fundos sobre o mês de outubro. Em compensação, houve um acréscimo de 21% se a comparação for feita com novembro do ano passado.

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