Inadimplência impede queda de juros, alega BC
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Agência Estado 
Brasília A inadimplência elevada tem impedido a queda na taxa de juros dos empréstimos concedidos pelos bancos às pessoas físicas. Isso fica claro na nota divulgada ontem pelo Banco Central sobre o comportamento dos juros e do spread bancário em abril. A taxa de inadimplência das pessoas físicas alcançou 15,1%, o nível mais alto desde junho de 2000.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, atribuiu o aumento da inadimplência à queda na renda das pessoas. Com menos dinheiro no bolso, consequência da desaceleração da economia, quem pegou dinheiro emprestado não teve como pagar. Só que taxas de juros elevadas também levam ao aumento da inadimplência e, para sair desse círculo vicioso, só com a economia crescendo em ritmo mais acelerado que o atual.
Com relação ao volume de recursos para as operações de crédito livres, ou seja, de direcionamento não obrigatório pelas instituições financeiras, o crescimento foi praticamente insignificante. No fim de abril, o BC registrou um volume de crédito disponível da ordem de R$ 199,5 bilhões, apenas 1,2% acima do verificado em março.
Para as pessoas jurídicas o destaque é com relação as operações chamadas de hot money, empréstimos de curtíssimo prazo. As concessões, em abril, aumentaram muito nessa modalidade de crédito. Em termos de volume, no entanto, ela não é representativa das operações destinadas às empresas.


