A inadimplência no comércio de Londrina teve, em agosto, um recuo histórico, segundo as estatísticas divulgadas ontem pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL). Foi a primeira vez, em seis anos, que o número de cancelamentos superou o total de registros no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) entre os meses de janeiro e novembro. Isso porque dezembro, historicamente, apresenta um resultado positivo por coincidir com o pagamento do 13º salário.
Em agosto, portanto, o número de consumidores que quitaram suas dívidas e foram retiradas do cadastro do SCPC foi maior do que o daqueles que entraram no banco de dados do serviço. Os registros no SCPC no mês somaram 6.465, enquanto os cancelamentos chegaram a 6.901. Assim, o total de pessoas registradas no SCPC da Acil foi reduzido em 436 no mês passado.
Em julho deste ano, a diferença entre os registros (6.872) e cancelamentos (6.465) havia ficado em 307 e em agosto do ano passado, em 365, com 6.621 registros contra 6.265 cancelamentos. Se o comparativo de agosto for feito com outros meses deste ano, o recuo da inadimplência se torna ainda mais expressivo. Em abril deste ano, por exemplo, a diferença entre registros (9.416) e cancelamentos (6.253) havia ficado em nada menos do que 3.163. Para se ter uma idéia, em dezembro de 1997 e 1998, apesar do pagamento do 13º salário, o número de registros superou o de cancelamentos em 1.479 e 284, respectivamente.
Na avaliação da ACIL, o principal motivo da melhora no quadro da inadimplência em Londrina são os créditos complementares do FGTS que estão sendo pagos pelo governo. Até 31 de agosto, a Caixa Econômica Federal já havia liberado R$ 4,7 bilhões em todo o País. A estimativa é de que 5,5% desse valor tenham sido destinados ao Paraná, ou seja, R$ 256 milhões. Desse montante, cerca de R$ 50 milhões teriam sido liberados nos 92 municípios da regional de Londrina.
Outro motivo, segundo o vice-presidente da Associação, Carlos Fernando Nonino, são as negociações que as próprias empresas estão estimulando para a recuperação de crédito por parte dos consumidores inadimplentes. Nonino afirma que a empresa dele montou uma equipe especificamente para renegociar débitos desses consumidores. Muitos outros varejistas estão fazendo o mesmo. ''Quem procura o comércio hoje tem conseguido renegociar suas dívidas e, como se diz, limpar o nome'', acrescenta.
As estatísticas da ACIL mostram também que as vendas à vista e no curto prazo, medidas pelas consultas ao Protecheque, tiveram um acréscimo de 5,75% em agosto sobre agosto do ano passado.

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