A inadimplência no comércio curitibano atingiu o segundo maior patamar desde o início do Plano Real, há três anos. O índice de 332 pontos percentuais registrado em junho deste ano só ficou abaixo dos 384 pontos atingidos em maio do ano passado. Os dois números são calculados com base na inadimplência registrada em julho de 1994, quando entrou em vigor o Plano Real.
O resultado surpreendeu o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), departamento da Associação Comercial do Paraná que divulga mensalmente o volume de vendas no comércio. Os dados da pesquisa mostram que a inadimplência além de ter atingido índices elevados, também registrou aumento em junho em relação ao mês anterior. O crescimento foi de 8%.
Desde o início deste ano, a inadimplência mantém um crescimento constante. Em janeiro, o índice chegou a 154 pontos acima de julho de 94 (mês tomado como base no cálculo). Fevereiro fechou com 199 pontos, março com 251, abril com 290 e maio com 298.
O coordenador do SCPC, Luiz Nardeli, disse que não há previsão para queda na inadimplência nos próximos meses. ‘‘Apesar de verificarmos uma redução nas vendas, não temos esperança de ver uma diminuição nas pessoas que não conseguem manter em dia o crediário’’, afirmou Nardeli. Ele acredita que a alta taxa de juro imposta pelo governo ainda é um fator determinante para manter a inadimplência em alta.
A pesquisa mensal da Associação Comercial revela ainda uma queda nas vendas no comércio. A redução é medida com base no número de consultas do SCPC e também do sistema Protecheque. O SCPC registrou em junho uma queda de 6% em relação a maio, enquanto a procura pelo Protecheque teve uma redução de 3%. ‘‘Há uma tendência nacional de reduzir as compras de produtos supérfluos’’, afirmou Nardeli.
Nardeli acredita que após três anos de Plano Real, o consumidor começou a valorizar mais a moeda. ‘‘No primeiro ano do plano, as pessoas não percebiam que um Real era dinheiro’’, lembrou o coordenador do SCPC. O grande problema continua sendo o de não calcular o quanto uma prestação encarece após embutir os juros sobre cada parcela.

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