A inadimplência das compras feitas por meio de consórcios dos clientes que já estavam de posse dos bens adquiridos cresceu 17% nos últimos doze meses. No ano passado, 8,2% dos consorciados contemplados tinham prestações atrasadas em mais de 30 dias. Em 1996, esse índice era de 7%, segundo os números da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), divulgados ontem em São Paulo .
No mesmo período, o índice de calote dos consorciados não contemplados cresceu 4,8%: era 10,3% em 1996 e atingiu 10,8% em 1997. A inadimplência total, que engloba os contemplados e não contemplados, fechou o mês de dezembro em 19%, ante o índice de 17,3% registrado em 96.
No último ano, o atraso no pagamento das prestações aumentou em quatro dos seis segmentos em que o sistema está ativo. A maior alta do calote foi registrada nos consórcios de veículos pesados, que envolvem caminhões, ônibus etc. No ano passado, 19,6% dos consorciados que tinham cotas de veículos pesados estavam com prestações atrasadas, ante 15,6% em 1996. A redução nos índices de calote ocorreu apenas nos eletroletrônicos e nos consórcios de importados.
Para o presidente da ABAC, Vitor César Bonvino, o aumento da inadimplência nos consórcios de veículos pesados está ligado ao recuo no ritmo da atividade da economia, com muitas empresas desistindo de renovar frota de caminhões, por exemplo. Ele diz que o aumento dos atrasos não é preocupante porque há muita renegociação de dívidas e não houve uma explosão de vendas nos últimos meses. Isso não significa, no entanto, que a perspectiva de alta do desemprego não possa agravar o quadro.
O setor de consórcios fechou o ano passado com 2,9 milhões de consorciados ativos, um número 18,1% maior do que no ano anterior, movimentando R$ 9,2 bilhões, 25,3% mais que em 1996. A expectativa era atingir 3,1 milhões de pessoas.

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