Inadimplência e vendas caem em Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de setembro de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O comércio de Londrina vai receber uma boa e uma má notícia. A primeira é que a inadimplência caiu pelo sexto mês consecutivo em agosto; já a outra indica que as vendas tiveram redução de 2,54% nos primeiros sete meses do ano. Os dados são do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), e medem as compras feitas apenas pelo crediário. ''Os resultados mostram que os consumidores estão mais conscientes, estão comprando o que podem pagar'', avalia o presidente da Acil, Rubens Benedito Augusto.
Conforme o SCPC, no ano a inadimplência acumula queda de 30,63%. O índice está em desaceleração desde março, uma vez que o cadastro de maus pagadores cresceu apenas nos dois primeiros meses do ano. Em agosto, o percentual caiu 10,89%, comparando com o mesmo período de 2006. No mês passado, 8.893 pessoas foram incluídas no cadastro, enquanto outras 6.732 solicitaram cancelamento (número que demonstra a quantidade de pessoas que conseguiram quitar suas dívidas). Esse movimento gerou saldo de 2.161 devedores.
O desempenho obtido até agora neste ano é o melhor resultado do órgão desde 2002. Para o economista Flávio Oliveira dos Santos, o resultado da inadimplência é resultado de três fatores: aumento do número de empregos, redução da taxa de juros e crédito facilitado. ''O aumento dos empréstimos consignados (com desconto em folha) tem ajudado as pessoas a colocar as dívidas em ordem e, consequentemente, ajuda na redução da inadimplência'', comenta.
No entanto, ele pondera que a facilidade do crédito pode gerar inadimplência a longo prazo. Isso pode ocorrer porque os financiamentos estão com prazos muito longos de pagamento, o que pode vir a comprometer o orçamento das famílias futuramente. ''Mas no geral o cenário está favorável. Neste ano a economia está melhor do que em 2006 e, neste último trimestre tradicionalmente há aumento do consumo e, demanda maior, pode gerar inflação'', acrescenta Santos.
Vendas - Se as pessoas estão pagando mais suas contas, os consumidores também estão comprando menos. O SCPC indicou queda no movimento do comércio varejista de 2,54% no primeiro semestre do ano. Segundo a assessoria de imprensa da Acil o movimento em julho foi fator determinante para a queda do índice, quando as vendas foram 20,45% menores do que no mesmo mês do ano passado. Nem mesmo o frio e as promoções foram suficientes para alavancar as vendas.
Julho influenciou tanto no desempenho conjunto dos primeiros sete meses que, se esse período fosse excluído, as vendas seriam 1% maiores no primeiro semestre. Para a Acil, o resultado ruim é fruto dos dois dias de manifestação dos camelôs, que fecharam o comércio por dois dias úteis após a operação conjunta da Receita e da Polícia Federal que apreendeu mercadorias do Camelódromo. As ações dos camelôs também teriam prejudicado fortemente o movimento no sábado, reduzindo o fluxo de pessoas no centro da cidade.
Para o presidente da Acil, a expectativa de vendas para o período era melhor, principalmente, considerando os bons resultados da agricultura. ''Mas o dinheiro da safra não entrou. Acreditamos que o segundo semestre será positivo porque já registramos uma reação nas vendas em agosto'', argumenta. Ele ainda diz que alguns segmentos do varejo estão alcançando bons resultados. ''No geral, os comerciantes que estão investindo e modernizando seus negócios estão satisfeitos'', avalia.


