A inadimplência em condomínios comerciais tem tirado o sono de muitos síndicos em Londrina. As prestações em atraso, que sempre mantiveram uma média histórica em torno de 8%, passaram para 40% nos últimos seis meses. A informação é da advogada Veronica Rühmann Harbs e do diretor de Condomínios do Secovi em Londrina, Arthur Harbs.
  Veronica, que trabalha com direito imobiliário há quatro anos, diz que nunca houve um índice de inadimplência tão alto. Ela analisa que as lojas e salas instaladas nos condomínios comerciais adotaram, inclusive, uma estratégia para atrasar as mensalidades: elas deixam de pagar uma ou duas mensalidades e fazem negociação do débito quando vence a terceiro mês consecutivo.
  Veronica explica que as pessoas esperam chegar o prazo limite de três meses, tolerado por boa parte dos condomínios para fazer a negociação, até porque o custo de uma demanda judicial é relativamente alto considerando os valores das mensalidades. Os processos que vão parar na Justiça demoram uma média de dois anos para serem resolvidos, mas há casos que duram bem mais de 10 anos.
  O diretor de condomínios, Arthur Harbs, que também é síndico em dois edifícios comerciais e um residencial, observa que as lojas explicam que o atraso no pagamento se deve à redução nas vendas nos últimos meses em função da crise internacional, uma teoria com a qual ele não concorda muito. ‘‘Agora, o Bush é culpado de tudo’’, afirma em referência ao presidente dos Estados Unidos.
  Para ele, a verdadeira causa se deve à falta de informação dos proprietários, que desconhecem os problemas que a inadimplência causa à administração do imóvel. ‘‘Se um edifício tem 24 apartamentos e quatro não pagam o condomínio, não há como fazer fundo de reserva e a diferença de custo de manutenção tem que ser rateada entre os outros para cobrir as despesas’’.
  Harbs considera que a inadimplência ‘‘é um problema gravíssimo’’ e informa que o Secovi tem promovido uma série de cursos e palestras para orientar os síndicos sobre as providências necessárias para resolver o problema.
  O diretor do Secovi em Londrina reconhece que houve um aumento na inadimplência dos condomínios residenciais desde que o novo Código Civil reduziu o valor das multas e os juros para as taxas em atraso, mas atualmente o setor comercial assumiu a ‘‘liderança’’. Hoje, segundo ele, 30% das taxas de condomínio em atraso são de responsabilidade de moradores e 70% de comerciantes.

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