Inadimplência do consumidor cresce 15% em 2012
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A inadimplência do consumidor cresceu 15% em 2012 na comparação com 2011. O Indicador Serasa Experian revelou ainda que houve uma elevação de 14,2% na inadimplência em dezembro de 2012 na comparação com o mesmo mês de 2011. Já na relação entre dezembro e novembro de 2012, houve um recuo de 1,5%.
Os economistas da Serasa Experian apontaram que a expansão da inadimplência em 2012 está ligada ao forte endividamento do consumidor, crescente desde 2010, definindo um alto comprometimento de renda - média de 22,1% no período de janeiro a outubro de 2012, de acordo com levantamento do Banco Central - que dificultou o pagamento em dia dos compromissos financeiros assumidos.
O economista da Serasa Carlos Henrique de Almeida disse que o balanço da inadimplência de 2012 é resultado do superendividamento do brasileiro, que teve um maior comprometimento da renda porque comprou imóvel, carro, eletrodomésticos e também investiu em viagens. Ele destacou que o desemprego baixo e a expansão da renda ajudaram a atenuar a inadimplência que, sem estes fatores, poderia ter sido ainda maior.
No ano passado, as dívidas não bancárias como cartão de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços, como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água e até condomínio, foram as principais causadoras da elevação da inadimplência do consumidor, com alta de 28,8% nos registros de compromissos vencidos e não pagos.
Já nos bancos, a inadimplência subiu 8,2% no ano de 2012. Nos títulos protestados nos cartórios houve expansão de 1,6%. A devolução de cheques por falta de fundos foi o único componente da inadimplência do consumidor a ter declínio no ano de 2012, com recuo de 8,3% em relação ao verificado em 2011.
O levantamento da Serasa mostra ainda que no segundo semestre do ano teve início um "ciclo de quedas" no volume mensal dos índices de inadimplência, com exceção de outubro, devido ao Dia da Criança.
O consultor financeiro da Inva Capital, Raphael Cordeiro, disse que o principal motivo para o endividamento foi a inflação que "comeu" a renda do trabalhador. Com isso, o rendimento real parou de crescer ou cresceu menos. Ele acredita que, em 2013, há grande chance de a inadimplência cair. Cordeiro prevê que o aumento da produtividade da economia deve levar ao aumento da renda da população e, consequentemente, à redução da inadimplência. As estimativas são de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha fechado 2012 entre 0,7% e 1%. Já para 2013, a expectativa é atingir 3%.
O coordenador da Câmara Setorial de Confecções da Associação Comercial do Paraná (ACP), Rui Machado, acredita que a inadimplência em 2013 tende a manter os índices atuais, mas pode ter uma leve redução ao longo do ano. Em 2012, as vendas do comércio, segundo ele, ficaram estáveis. Neste ano, a previsão é de um crescimento de 5% a 6%.
Almeida acredita que a inadimplência deve cair um pouco em 2013, mas a previsão é que ainda chegue ao final do ano com patamares elevados. As dicas dele para o consumidor sair da inadimplência são colocar as dívidas na ponta do lápis e fazer o planejamento financeiro para, depois, iniciar o processo de renegociação dos valores devidos. Segundo ele, o que tem ocorrido é que o consumidor se enche de dívidas e não consegue pagar nem os serviços básicos como água, energia elétrica e telefonia.



