Inadimplência do ano em Maringá é recorde
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quarta-feira, 16 de abril de 1997
Marccio Varella Sucursal de Maringá 
Folha de LondrinaCentral do SCPC registrou, de janeiro a março, 11% de devedoresA inadimplência dos consumidores de Maringá nos três primeiros meses deste ano registrou novo recorde, com 22.519 pagadores em atraso no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Na avaliação da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), esse índice deverá crescer em média 30% até o final do ano. A economia começa a dar sinais de que está perdendo o fôlego, diz o diretor do SCPC da Acim, Luís Ajita.
Em janeiro, fevereiro e março deste ano, 316.239 consumidores compraram a prazo em Maringá. O número de carnês atrasados em mais de 30 dias registrado pelo SCPC atingiu a marca de 28.749 (11% do total de compradores), o que representa 32% do total de inadimplentes - 82.858 - durante todo o ano de 1996. A inadimplência em 1996 representa 8% do total de consumidores (662.864) que compraram a prazo em Maringá no ano passado. Nos três primeiros meses de 96, o número de inadimplentes chegou a 22.519. Até o final do ano, avalia a Acim, o número deverá crescer em média 30%.
Em 94, os carnês de pagamento com atraso superior a 30 dias atingiram a marca de 37.746. O cálculo da Acim é feito em todos os setores do comércio maringaense. A base da pesquisa do SCPC, explica Ajita, é bem maior este ano, tendo em vista que o número de consumidores cresceu graças à facilidade de crédito e redução das taxas de juros.
O que está ocorrendo é que o consumidor tem uma falsa idéia de que o seu poder de compra aumentou. Ele pensa que daqui a três meses vai ter uma folga no orçamento porque a prestação vai desvalorizar, mas isto não ocorre mais. Então ele compra eletrodomésticos para pagar em dois anos, afirma Ajita.
Ele diz ainda que o número alto de inadimplentes também pode ser explicado pelos cheques pré-datados emitidos no final do ano passado. É reflexo das compras de Natal. O brasileiro não planeja suas compras. Acha que pode ir fazendo crediários pequenos que, somados no final do mês, o tornam um inadimplente.
Na avaliação de Ajita, está ocorrendo um desaquecimento da economia: Há o desemprego, muita gente está perdendo salário, principalmente os que não têm renda fixa. Na verdade, o Plano Real fez com que as pessoas se arriscassem muito.
Esse quadro de inadimplência em Maringá está fazendo com que o comerciante se proteja dos maus pagadores. Já existem duas empresas privadas que dão ao comerciante todas as informações cadastrais dos clientes e ainda garantem seus cheques. No final do mês passado, a Acim fez acordo com a Centralização de Serviços dos Bancos S/A (Cerasa), que via computador mostra uma relação de cheques roubados e de inadimplência, inclusive no Sistema Financeiro de Habitação.


