Curitiba - A inadimplência dos consumidores deve manter nos primeiros meses de 2013 a trajetória de queda observada neste semestre. A análise realizada pela Serasa Experian aponta que em agosto ocorreu a décima queda mensal de inadimplência no País. O recuo registrado foi de 1,5% em agosto na comparação com julho, atingindo o valor de 94,8. Quanto mais distante do número 100, maior é a queda na inadimplência. O indicador de perspectiva da inadimplência procura antever o movimento de atrasos no pagamento com seis meses de antecedência.
Segundo a Serasa, os principais motivos que devem garantir a queda da inadimplência são o custo menor das dívidas, com as reduções da taxa básica de juros e uma maior concorrência entre os bancos, assim como um ambiente de baixo desemprego. Além disso, a predominância de ganhos salariais acima da inflação nos acordos coletivos deve contribuir para as pessoas colocarem as contas em dia.
Outros fatores que auxiliaram na redução nos níveis de atraso são o maior rigor na concessão de crédito praticado pelos bancos neste ano. O alto nível da inadimplência no início de 2012 forçou os bancos a adotar uma postura mais cautelosa na aprovação dos pedidos de financiamento. A retração do crédito, assim como o elevado endividamento das famílias, representaram freios para o crescimento da economia.
''O processo de queda deve continuar até fevereiro'', afirmou o economista da Serasa, Carlos Henrique de Almeida. Ele destacou que o consumidor está mais cauteloso e se mostra preocupado em renegociar as dívidas.
O consultor financeiro da Inva Capital, Friedbert Kroeger, disse que agora as pessoas estão ''acordando para o risco do endividamento''. Ele alertou que, quando o consumidor compromete o orçamento, a margem de manobra para novos gastos fica apertada.
Ele citou como exemplo uma pessoa que comprometa 30% da renda mensal com o financiamento da casa própria, 15% com a aquisição de um carro e mais um percentual para mobiliar o imóvel, estará com 50% do orçamento comprometido.
''Agora, uma parte dos brasileiros começa a ser mais cuidadosa com os gastos. É difícil dizer se isso vai se manter'', afirmou. Segundo ele, quanto mais baixa a renda da família, maior é o comprometimento com alimentação e moradia.
A dica dele é que, antes de cada aquisição, o consumidor verifique se realmente precisa daquele bem e pense antes de fazer a compra. Além disso, é fundamental checar o quanto do orçamento já está comprometido com o pagamento de dívidas. Ele recomenda que as pessoas deixem uma margem para emergências.
Para quem está endividado, a dica dele é ver onde pode reduzir os gastos. ''O atraso no pagamento de contas custa caro'', destacou. A saída, segundo Almeida, é tentar renegociar a dívida e não deixar atrasar novamente para não perder a credibilidade. ''Cuidar bem das finanças é uma questão de disciplina'', declarou.

mockup