O indicador de inadimplência deve terminar este ano e o próximo com estabilidade, segundo o Indicador de Risco de Crédito (IRC) divulgado ontem pela Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Apesar de 3,5% de crescimento no registro de devedores no terceiro trimestre de 2013 em relação ao mesmo período de 2012, houve aumento de 2,4% na capacidade de pagar as dívidas e 100% dos entrevistados disseram ter condições de quitar todos os débitos que possuem em dia.
Segundo a empresa, a pesquisa aponta uma tendência à estabilidade. "Todos os indicadores deste ano mostraram um recuo da inadimplência, acompanhando os dados do Banco Central. Só que esta curva voltou a subir um pouco e a tendência é que agora se acomode", afirma o diretor de Marketing, Inovação e Sustentabilidade da Boa Vista, Fernando Cosenza.
Economistas ouvidos pela FOLHA dizem que a pesquisa mostra que o consumidor está mais atento às finanças pessoais e que pode ter mais facilidade para consumir neste fim de ano. O diretor do Boa Vista concorda, mas completa que o tom de todos os entrevistados que disseram ter condições de pagar dívidas não é de otimismo, mas de cautela. Isso deve mudar a próxima safra de tomadores de crédito. "Devemos ter um cenário de maior qualidade na tomada de financiamentos. Esta é a grande notícia."
O consultor da Associação Comercial do Paraná (ACP) e diretor executivo do Datacenso, Claudio Shimoyama, afirma que essa estabilidade vem do maior conhecimento sobre educação financeira por parte dos consumidores. "Hoje, a maior parte dos devedores são jovens, mas a mulher, por exemplo, está mais consciente sobre o controle de gastos."
Shimoyama afirma que a maior parte dos trabalhadores com dívidas pensa em usar o 13º salário para quitá-las, o que confirma a tendência. "O próprio comerciante tem trabalhado para dar descontos à vista, o que ajuda nesse momento."
Para o economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Renato Pianowski, os próprios credores perceberam que é preciso chamar o inadimplente para negociar, sob risco de ter de eliminá-los da lista de clientes. "É só prestar atenção no tanto de feirões para renegociação de dívidas que apareceram nas últimas semanas", diz ele, que também é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Pianowski afirma que é preciso olhar os números com "simpatia, mas sem dar pulos de alegria". "Esse índice mostra que pode ocorrer melhora no consumo no fim do ano, mas isso se persistirem os agentes que promovem a educação financeira, como a mídia, que tem batido nessa tecla em todos os momentos."

Projeções
A Boa Vista projeta taxas de inadimplência de 6,8% para 2013 e de 7% para 2014. Ainda, informa que as pessoas que buscaram crédito nos últimos 12 meses reduziram o risco de se tornarem inadimplentes em 1,7% no terceiro trimestre de 2013, ante o período do ano anterior. Analistas da empresa afirmam que a alta da taxa básica de juros, a inflação e a acomodação no mercado de trabalho podem gerar nova elevação dos índices. "O mais relevante é a renda do brasileiro. Se continuar crescendo menos do que em anos anteriores, o cenário para a inadimplência pode piorar", afirma Cosenza.

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