Inadimplência desacelera e mostra consumidores mais cautelosos
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Dois índices divulgados ontem mostram que o brasileiro tirou ou pretende tirar o pé do acelerador do consumo. O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor fechou o primeiro semestre de 2013 com crescimento de apenas 5,6% em relação a igual período do ano anterior. Essa é a menor variação desde 2011, quando o índice havia crescido 21,6%. Também foi divulgado ontem a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice atingiu em julho o menor nível da série histórica, iniciada em janeiro de 2010 (leia mais nesta página).
Na variação mensal - junho contra maio - o índice de inadimplência, segundo o Serasa, registrou retração de 4%. Já na comparação de junho deste ano ante igual mês de 2012 o indicador caiu 3%.
Economista, professor universitário e consultor de finanças pessoais e empresariais, Charles Vezozzo afirma que a inflação assusta e faz o consumidor ficar mais cuidadoso. "Hoje temos uma população mais bem informada, que reage diante de um cenário econômico diferente", afirma. Ele diz que as compras de produtos com mais valor agregado têm sido adiadas. "Eu ouço muitos relatos nas palestras que faço. As pessoas dizem que vão esperar um pouco mais para comprar o que não é essencial", declara.
Mas não é só precaução, ressalta o consultor. "A inflação vem reduzindo o poder aquisitivo das pessoas, principalmente daquelas com menor renda", explica. Além da inflação, o cenário político criado com os recentes protestos populares colabora para deixar o consumidor mais cauteloso, na opinião do professor.
Flávio Oliveira dos Santos, economista, professor universitário e coordenador da pesquisa mensal da cesta básica de Londrina, acrescenta outro fator como responsável pelo desaquecimento do consumo. "Os juros estão aumentando e os bancos estão mais criteriosos ao concederem crédito", avalia.
Santos também considera que as famílias brasileiras chegaram a um limite de endividamento. "Nos últimos anos, ficou muito fácil obter crédito. Até meu filho, que começou a trabalhar esses dias, já tinha ganhado do banco seu cheque especial", analisa. Ele também leva em conta um fator psicológico que faz o consumidor segurar seus impulsos. "Fica todo mundo falando que a economia está entrando numa grande crise e isso assusta", salienta.
Renegociações
Segundo relatório divulgado pela Serasa Experian, a inflação reduziu o poder aquisitivo e o ciclo de elevação dos juros tem penalizado aqueles que utilizam intensamente o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. "Diante desse cenário, o consumidor evita novas compras a prazo e prioriza o pagamento e a renegociação das dívidas", afirma a instituição.
O que mais contribuiu para o crescimento do indicador no primeiro semestre do ano foram as dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água etc.), com alta de 12,6%. Já a inadimplência com bancos subiu 1,3%. Os cheques sem fundos e os títulos protestados apresentaram retração, com queda de 9,4% e 1,4%, respectivamente. (Com Agência Estado)



