Inadimplência das empresas registra queda em fevereiro
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sexta-feira, 28 de março de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Com menos dias úteis em fevereiro, o índice de inadimplência das empresas registrou uma melhora no mês após a alta registrada no início do ano. Em relação a janeiro, houve recuo de 14,8% no indicador. No entanto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, o índice teve alta de 7,6%, de acordo com dados divulgados ontem pela Serasa Experian, empresa de informações financeiras.
O indicador considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições bancárias e não bancárias. No primeiro bimestre do ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, o índice também teve crescimento de 9,4%.
De acordo com o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, a inadimplência foi menor em fevereiro porque o mês tem menos dias em relação a janeiro. Ele destacou que a comparação mais significativa é sempre do mês em vigor com o mesmo período do ano anterior.
Rabi destacou que o aumento de 7,6% na inadimplência em fevereiro já é a sexta elevação consecutiva deste indicador que acontece desde setembro. Isso mostra que a inadimplência está em alta, afirmou. Segundo ele, um dos motivos que tem contribuído para as empresas estarem inadimplentes são os aumentos consecutivos das taxas de juros que impactam o custo financeiro das instituições. A estagnação da economia também traz reflexos para a geração de caixa das empresas, segundo ele. O economista disse que o custo da mão de obra tem aumentado com os reajustes acima da inflação, o que também traz impactos para as companhias.
Os títulos protestados e as dívidas com os bancos foram os principais responsáveis pela queda do indicador em fevereiro, com variações negativas de 29,4% e 18,9%. Os cheques sem fundo também apresentaram queda de 12,2%. Já as dívidas não bancárias - junto aos cartões de crédito, financeiras e prestadoras de serviços como telefonia e energia elétrica - cresceram 0,7% e contribuíram para que o índice não caísse ainda mais no mês passado.
O presidente da Fecomércio-PR, Darci Piana, disse que o aumento dos juros tem provocado a elevação da inadimplência. Segundo ele, com os juros mais altos, os bancos exigem mais garantias e também reduzem o valor dos financiamentos. Com o aumento da inadimplência do consumidor, as empresas começam a ter dificuldades, explicou.
Para o professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica de Londrina, Marcio Massaro, a inadimplência das empresas acompanha a mesma trajetória do que está acontecendo com as famílias. A capacidade de endividamento das famílias hoje é extremamente pequena, disse. E isso, reflete também nos resultados das empresas.
A queda de fevereiro seria positiva se fosse uma tendência, explicou. Rabi acredita que a inadimplência das empresas deve continuar subindo em 2014 porque o cenário brasileiro não muda. Ele prevê que os juros continuem altos e que a economia permaneça estagnada e com os salários com reajustes reais.



