Curitiba - O índice que mede a inadimplência das empresas brasileiras atingiu a maior marca para um mês de julho de toda a série histórica, que teve início em 2000, segundo a Serasa Experian. O indicador subiu 12,9% no sétimo mês deste ano na comparação com junho, de acordo com a instituição. Em relação ao sétimo mês de 2013, a taxa de inadimplência do setor empresarial avançou 11,4%. De janeiro a julho, a alta foi de 6,9%.
A Copa do Mundo e a atividade enfraquecida ajudaram a elevar o índice de inadimplência das empresas, segundo os economistas da Serasa. Em nota, os profissionais explicam que a realização do Mundial de Futebol, que gerou feriados e paralisações no setor, deprimiu a base de comparação mensal (junho) e impulsionou os registros de inadimplência em julho.
Já a estagnação da economia, segundo a Serasa, prejudicou a geração de caixa das empresas. "A elevação do custo financeiro tendo em vista os juros mais altos neste ano em relação aos vigentes de 2013 e o avanço dos salários acima do crescimento da produtividade vem proporcionando maiores dificuldades às empresas para honrar seus compromissos financeiros, aumentando os índices de inadimplência em suas comparações anuais", avaliaram os economistas.
Para o assessor econômico da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Shimoyama, as empresas estão com estoques altos e o consumidor tem comprado menos com a inflação e os juros altos, além do problema dos dias parados com a Copa. "O consumidor tem comprado menos porque está endividado e há falta de crédito no mercado", disse. Para ele, estes fatores provocam um "efeito dominó de uma economia que está parada". Ele prevê que a entrada do 13º salário na economia deve amenizar a inadimplência das empresas até o final do ano.
O economista e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Daniel Poit, lembrou que o Banco Central (BC) vem aumentando juros sistematicamente desde o início de 2013 para combater a inflação, por isso fica mais difícil para saldar dívidas. "A combinação do aumento de juros mais a queda da demanda favorece a inadimplência." Outros fatores para a alta da inadimplência das empresas, segundo ele, têm sido o endividamento das famílias, a retração do mercado e o fechamento de vagas no mercado de trabalho.
"Acho difícil que se reverta esse quadro de inadimplência das empresas neste ano", afirmou.
Os títulos protestados e os cheques sem fundos foram os principais responsáveis pela alta da inadimplência no sétimo mês do ano, com variações positivas de 39,5% e 23,1%, respectivamente, segundo a pesquisa da Serasa. As dívidas não bancárias, feitas por meio de cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água, dentre outros, avançaram 2,7%. Em contrapartida, as dívidas das empresas com bancos cederam 1,8% em julho. (Com Agências)

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