Inadimplência cresce no interior do PR
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A inadimplência voltou a subir no interior do Estado neste primeiro semestre do ano, depois de registrar queda em 2007. Nos quatro principais pólos comerciais - excluindo a capital - o número de maus pagadores subiu em três deles: Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Cascavel obteve o melhor resultado registrando baixa nos índices. Os números são das associações comerciais e industriais dos municípios e medem apenas as compras feitas pelo crediário.
O Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic) aponta que a inadimplência (saldo entre as inclusões e as exclusões) caiu 17% no município. Neste primeiro semestre houve um aumento de 5,5% na quantidade de registros no SCPC, o que significa que mais pessoas foram incluídas nos cadastros de maus pagadores. No mesmo período foi registrado um aumento de 18% nas baixas, o que demonstra também que mais pessoas deixaram os registros.
Ao mesmo tempo, o número de consultas ao sistema cresceu 10%. Este índice é um indicativo de crescimento das vendas. ''Acreditamos que este mês (junho) é o último ou o penúltimo de queda na inadimplência. A partir de agora a tendência é de alta devido ao excesso da oferta de crédito'', avalia Leopoldo Nestor Furlan, diretor do SCPC da Acic. Prazos longos para pagamentos de financiamentos, na sua opinião, levam ao aumento da inadimplência.
''O mercado está aquecido, não tem onde os consumidores gastarem mais. O crédito consignado para aposentados é uma verdadeira armadilha e o problema é que a maioria das pessoas que adere a estes financiamentos não faz qualquer planejamento'', comenta Furlan. Segundo ele, a partir das projeções de alta da inflação a tendência é que os consumidores utilizem mais cheques pré-datados nas compras ao invés do cartão de crédito, que cobra juros mais altos. ''O número de cheques devolvidos deve crescer nos próximos seis meses'', diz.
Apesar de registrar alta na inadimplência, Londrina obteve um dos melhores resultados: crescimento tímido de 6,1%. Segundo a Acil, o índice aumentou porque em junho do ano passado foi registrada a segunda menor marca de todo o ano passado, fugindo da base de comparação esperada para o período. Desta forma, a interpretação é que não há uma tendência de alta, uma vez que nos demais meses os níveis estão semelhantes aos registrados no ano passado. No entanto, para o presidente da Acil, Marcelo Cassa, todo aumento na inadimplência é preocupante.
''Estamos registrando aumento nas vendas e, por isso, é normal que a inadimplência cresça. Além disso, os consumidores estão na 'onda' das compras a prazo, o que leva ao descontrole e ao endividamento'', comenta Cassa. Além disso, ele acrescenta que os comerciantes estão efetuando vendas mais seguras com a utilização dos serviços de proteção ao crédito. ''A inadimplência depende da economia e com o mundo globalizado estamos sujeitos a fatores mundiais'', comenta. Segundo ele, tradicionalmente, no segundo semestre cresce o número de maus pagadores.


